Boletim de Abril de 1960 - Ano 1 - nº4
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O Departamento Social do "Guanabara"

O Nosso Departamento Social tem a sua existência garantida pela sua própria razão de ser: unir.
Esta união espiritual dos sócios do C.E.G., esta comum amizade e respeito, este carinho com que nos tratamos, esta maravilhosa ansiedade com que aguardamos cada domingo, cada festa, toda esta harmonia, enfim nada mais é do que frutos e flores, brotados das sementes lançadas em nossas reuniões sociais. Estas, as causas, aqueles, os efeitos. A razão e o porquê.

E imbuído da necessidade e da importância de seu fim, conscio da missão a que se destina, o Departamento Social do nosso Guanabara criou, cultiva e desenvolverá, o máximo possível - com a cooperação imprescindível dos queridos consócios, o que, aliás, nunca faltou, toda essa harmonia que, para descrevê-la em toda sua beleza e utilidade, ou teríamos que empregar toda a riqueza de nosso vocabulário, ou resumir, concentrar em apenas uma palavra, tudo o que uma só palavra poderá exprimir - UNIÃO.

Magno Matheus da Rocha
(Diretor Social)


O Valor da crítica sensata


A crítica sensata traz em si o poder sublime de construir, de impulsionar para frente, no caminho certo, todas as idéias, todos os atos humanos.
É preciso,porém que esta crítica seja sensata e franca, que não se oculte em esquinas escuras, a espera de um momento de distração, para atacar. Não: Ë preciso que seja precisa, de frente w a luz do dia, para para que possa guardar em si o seu sentido verdadeiro, mostra a todos a sua sinceridade e sensatez e sua razão de ser.
Só assim, a crítica constrói.

A sensatez da crítica, porém, está apoiada, sobre tudo, na sinceridade, no critério e na intenção do crítico em mostrar os erros que realmente existiam - pelo menos para ele - pois todos nós podemos errar - é humano.

Ressentimento pessoal algum deverá entrar em linha de conta, pois qualquer emoção, boa ou má, como o amor e a amizade, o rancor e a antipatia, tingirá de mentira destruirá o valor da verdadeira crítica - da crítica construtiva, da crítica sensata.
É assim que eu, que nós temos recebido e receberemos com prazer, as vossas críticas, caros consócios. Muito obrigado.

Magno Matheus Da Rocha
(Diretor Social)



Atenção:

Continuamos aguardando sua sugestão para as cores, emblema, flâmula, bandeira, lema e hino.


Resolução da Diretoria nº 1/60

A Diretoria do CENTRO DE EXCURSIONISTA GUANABARA, em reunião efetuada em 12 de março de 1960, tendo em vista a necessidade de aprimorar o sistema de cobranças das cotas sociais e das taxas de participação nas reuniões sociais resolve:

1º) Majorar a taxa de mensalidade de Cr$ 20,00 para Cr$ 50,00;

2º) Suprimir as cobranças que vêm sendo feitas, de Cr$ 30,00 a cada um dos sócios que participam das reuniões mensais.

A presente Resolução entrará em vigor a partir de 1º de abril de 1960, revogadas as disposições em contrário.

Rio de Janeiro, 12 de março de 1960.
Manoel Armando Rodrigues da Costa
Presidente


Mudança de Diretores

JOSÉ JORGE SERPRA que vinha exercendo a vice-presidência passou a exercer o cargo de Representante dos Sócios;

MAURÍCIO ALVES DE CASTILHO que vinha exercendo o cargo de Diretor Social passou a exercer a Vice-Presidência;

MAGNO MATHEUS DA ROCHA que vinha exercendo o cargo de Representante dos Sócios passou a exercer o cargo de Diretor Social.


Novo Diretor de Fotografia

Foi escolhido para exercer o cargo de 2º Diretor de Fotografia o nosso consócio PAULO RIBEIRO MARTINS


Como se classificam as escaladas

1º GRAU (Escalada Leve)

Encontramos passagens que exigem o emprego das mãos, mas sempre trechos de pouca monta. Os apoios são abundantes e cômodos, não empenhando o excursionista a esforços excessivos. Não é o caso porém, de iludir-se com o adjetivo "fácil". A escalada é fácil, mas em condições normais. Com mau tempo, pode tornar-se a escalada de uma montanha fácil, em tarefa de certo perigo. Típicos exemplos de PRIMEIRO GRAU, são: PEDRA DA GÁVEA (via C.E.B.); PÃO DE AÇUCAR (via Costão); IRMÃO MENOR DO LEBLON; AGULHINHA DO INHAGÁ; CHAMINÉS GÊMEAS; SÃO JOÃO E GRUTA DE SÃO JOÃO; CHAMINÉ DO MOGANGA; CHAMINÉ DO PERDIDO; CABEÇA DE PEIXE; NARIZ DO FRADE; TRÊS MARIAS; AGULHAS NEGRAS; FRADE DE MACAÉ E PEITO DE POMBA.

2º GRAU ( Escalada Semi-pesada)

É necessária a cordada. A montanha começa a fazer-se respeitar, empenhando o Guia que deve possuir bons requisitos para superar as dificuldades, e fazê-las superar pelos que o seguem. Os obstáculos aumentam. São frequentes os saltos, as placas de rochas, mas os apoios menos abundantes, são menos cômodos. Quem enfrenta uma escalada de 2º grau deve estar bem preparado se não quizer correr o risco de grandes desilusões. Clássicos exemplos de 2º grau são as CHAMINÉS DO CANTAGALO; DOIS IRMÃOS DE JACAREPAGUÁ; CABEÇA DO INDIO; ESCALAVRADO; CHAMINÉ DA AGULHINHA; PRATELEIRAS; DESCIDA DO PAREDÃO DIAS PAES; PAREDÃO CARIOCA; PAREDÃO WALMIR CASTRO; MARIA COMPRIDA; PEDRA DO PICU; PAREDÃO VITÓRIA E COROA DO FRADE.

3º GRAU (Escalada Pesada)

Não é para todos. A montanha resiste duramente aos escaladores - e as vias de 3º grau são somente para os escaladores - embora não requeiram o emprego de meios artificiais. A verticalidade e a exposição começam a se fazer sentir. Os caminhos e os diedros são duros, as travessias vertiginosas, com apoios escassos e pequenos. É necessário bom conhecimento da técnica de escalada. Na descida, muitas vezes, é preciso recorrer a corda dupla. Do 3º grau são a PASSAGEM DA ORELHA (PEDRA DA GÁVEA); DEDO DE NOSSA SENHORA; CAMINHO TEIXEIRA DO DEDO DE DEUS; CHAMINÉ DO TERCEIRO DEDO; DEDINHOS GARRAFÃO; PAREDÃO "CEPI"; OLHOS DO IMPERADOR; PAREDÃO MARUMBI E DESCIDA DO PAREDÃO ANTENA.

4º GRAU ( Muito Pesada)

Termina, ou quase, a escalada livre, isto é, sem auxílio de meios artificiais. O escalador sente a necessidade de empregar o auxílio de grampos para sua segurança. Os paredões são verticais e expostos, pobres de apoios. As chaminés são estreitadas e extremamente difíceis. Fendas estreitas permitem somente a entrada de um flanco, ficando parte do corpo exposta. É utilizado então o sistema de adesão e oposição, a técnica mais refinada da escalada. A descida é feita, na maioria nos trechos, com o emprego da corda dupla e de nós de evasão. Esta escalada é para poucos, pois requer grande técnica e bom prepao físico. Como exemplo do 4º graupodemos citar a FACE LESTE DO DEDO DE DEUS; CHAMINÉ STOP, AGULHA DO DIABO; CHAMINÉ UNGAR; CHAMINÉ GALOTTI E AGULHA DO ITACOLOMI.

5º GRAU (Escalada Super-Pesada)

É uma escalada extremamente difícil, em que são empregados muitas vezes meios artificiais. Os grampos, são imprescindíveis, não só para segurança, mas também para a saída. Os escaladores empregam muitas vezes duas cordas. Os paredões na maior parte de sua extensão são a prumo e muitas vezes negativos (mais de 90º). Os apoios, são raríssimos. Estas escaladas de primeira ordem, são reservadas a escaladores dotados de qualidades não comuns, e adestradíssimos. Exemplos de 5º grau temos na CHAMINÉ RIO DE JANEIRO; do CORCOVADO e o PICO MAIOR DE FRIBURGO.

6º GRAU

Esta classificação não se aplica a nenhuma montanha do Brasil. Esta escalada, pode-se dizer, é o limite das possibilidades humanas. Se poucos escaladores podem afrontar o quinto grau, pouquissimos conseguem a notável façanha de atingir o sexto grau. Estes escaladores são mais acrobatas que escaladores, homens de nervos de aço, que põe em uso, além da técnica, todos seus recursos físicos. A escalada é feita empregando numerosos "pitons", estribos, roldanas e recorrendo a complicadíssimas manobras de corda. Ao sexto grau pertence o FITZROY, conquista feita na Patagônia pelo nosso conhecido Lionel Terrai.

( Transcrito dos boletins nº 6 e 7 do C.E. LIGHT )


Volta de sócios

É com satisfação que registramos a volta às nossas atividades do associado HAROLDO DE SOUZA que se encontrava afastado por motivos particulares.


Doações feitas ao clube

Pelo caro consócio MAURÍCIO foi oferecido ao nosso clube o jogo de fotebol "Toto". Apredam a jogar ... e divirtam-se. (Informação do ofertante: já estava cansado de vencer e resolveu dar-nos umacolherde chá ...).
Pelo Sr. Sebastião Ribeiro da Silva foi doada ao Clube a rede de "vôlei" que já vinha nos prestando grandes serviços ...
Aos ofertantes o nosso muito, muito obrigado.


Aniversariante deste mês

Dia 25 - Ivete Maria Villas-Boas


Programação para Abril

DIA 03 - Domingo

PEDRA DO CONDE
TIPO: Caminhada leve (Montanha)
Levar farnel e cantil
Ponto de encontro: Praça da Bandeira – 7 horas
Guia: Manoel Armando Rodrigues da Costa

DIA 10 - Domingo

PEDRA DA GÁVEA
Tipo: Caminhada com escaladas de 1º grau
Levar farnel e cantil
Ponto de encontro: Hotel Leblon – 7 horas
Guia: Sionil da Silva Ribeiro

DIAS 14, 15, 16 e 17 - Semana Santa

OURO PRETO
(Maiores detalhes com a secretaria)

DIA 24 - Domingo

PIRATININGA ( Praia)
Tipo: Recreativa
Levarfarnel, cantil e roupa de banho
Ponto de encontro: Praça 15 (Frota Carioca)
Horário: 6 horas
Guia: Fernando Fernandes de Oliveira e Cunha

DIA 30

REUNIÃO SOCIAL
Local: Sede
Hora: 20 horas
( A cargo do Departamento Social)

DIA 1º DE MAIO

Reservado ao Departamento Técnico

Obediência ao guia, ordem e respeito aos companheiros, são fatores preponderantes para o sucesso das excursões.


As matérias aqui publicadas não representam necessariamente a posição oficial do Centro Excursionista Guanabara. Ressaltamos que este é um espaço aberto a todos que queiram contribuir.