| Boletim
de Abril de 1961 - Ano 2 - nº16 Já Que o Monte Não Vem ao Homem... O Arriscado Esporte de Vencer Montanhas Ginástica para o corpo e para o cérebro – A vida, a cada instante por um fio, ou melhor por uma corda... A última escalada é sempre a penúltima... A montanha sempre exerceu um verdadeiro fascínio sobre o homem. A mitologia e a poesia antigas escolheram as grandes elevações para a morada dignificante dos seus deuses. A Grécia escolheu o Olimpo para a morada de Júpiter, e seus deuses subalternos. As montanhas que cercam a fértil planície da Tessália foram sempre decantadas pelos vales helênicos. O Fuji Yama, no Japão, extinto desde 1.707, é o manto sagrado dos japoneses, objeto de culto, centro de peregrinações e tema favorito dos pintores nipônicos. O Everest, no Himalaia também cantado nos poemas folclóricos e religiosos da região, é um exemplo da grande atração dessas imensas massas orográficas sobre a imaginação dos pobres mortais. Religiões antigas e modernas, ora prometem um mundo de felicidade para os entes felizes que pudessem galgar majestosos montes sagrados, entendo com isso o perdão de seus pecados – ora fulminam com seus anátemas os curiosos infiéis que tentam perturbar os deuses nas suas calmas majestáticas residências, quase sempre cobertas de neve. O homem de hoje, e homem civilizado, sabe que os deuses não moram nas montanhas, mas nem por isso deixam de admirar a desbordância do gênio criador que as criou! Quando o alpinista contempla a silhueta sempre meça dos grandes mentos alcantilados, não se lembra dos deuses. Esses já tiveram o seu tempo. Pensa no criador, e essa muda contemplação é o repasse metafísico para a nossa alma cheia de ceticismo, doentia das loucuras do século, e que precisa de um técnico vivificador, uma comunhão mais intima com a natureza. Ginástica para o Cérebro E o alpinismo, o esporte de subir e galgar montes perigosos, não é somente um remédio para a alma. É uma das maiores ginásticas tanto para o corpo como para a inteligência. Todos os nossos sentidos e faculdades são trazidos para colaborar. Os dedos, as suas pontas, os braços, as pernas, as costas, a barriga, os ombros todas as partes do corpo cooperam na luta titânica para vencer os colossos, que furando nuvens, espinham displicentemente a abóbada celeste, a espera de um corpo sadio e uma inteligência lúcida e cheia de sagacidade, que possa guindá-los galhardamente. Todo o homem torna-se então, num único músculo, dominado por uma vontade indomável de vencer todos os obstáculos, contornar todas as dificuldades, até a consecução dos almejados existentes: a escalada de mais um pico, de último pico... Depois de horas de trabalho incessante, não há mais rochas levantando-se por detrás da última crista de monte. Lá está ele, o mais alto de todos, silhueta de contra o céu, tentadoramente. Os outros obstáculos ficaram para trás. É a hora em que o “montanhista” resolve sentar-se ou deitar-se um pouco, se puder encontrar, entre as rochas, um lugar cômodo para deleitar-se com a sua deliciosa merenda. O esforço foi tremendo, e apesar do ar frio e mordificante, quentes, camarinhas de suor descem pelo rosto e pelo pescoço. É preciso tomar neve alento e ressarcir-se das galerias perdidas. O bando alegre, mas cansado dos seus companheiros também se senta para comer alguma coisa, levada na mochila juntamente com os apetrechos esportivos. Sentam-se, é bom notar, quase sempre contemplando a última alcantil que logo irão vencer. Contemplam-no, com olhos sagazes de entendedores de “metier”, medem com olhos os seus flances nus e abruptos. Procuram adivinhar, a distancia, a natureza das suas rochas. Sim, isto é particularidade importante dos galgadores de mentes, e todos eles conhecem-nas quase sempre tão bem como um geólogo consumado. São verdadeiros potrologistas. É preciso conhecer perfeitamente cem qualidade de pedra estão lidando. Algumas delas são lhe fiéis, sustentando-lhes pacientemente o peso que com o auxílio da corda, balançantes, sobre precipícios tremendos, procuram descer ou subir até o companheiro que os espera. Outros escondem no seu bojo a traiçoeira sombra da morte, resvaladas ou fragmentáveis facilmente. Com elas não se brinca. Muito cuidado com elas. Do contrário despenham-se irremessivelmente para a outra vida. Os jornais estão cheios de casos de esportistas, aristocratas, que pagaram com a vida o preço de sua imprevidência. O alpinista pensa, senão, nos seres pacíficos que ficaram em casa. Lembram-se das contínuas advertências da mãezinha, que se angustia constantemente com as lidos esportivas do filho. É uma das horas tristes do alpinismo. Sempre a promessa de ser a última ascensão. Mas o esportista ardoroso sabe que está mentindo. Não pode deixar a sua maior paixão, não pode deixar esse enleio de volúpia ascética diante da majestosidade do espetáculo que os Alpes oferecem! A Última EscaladaO bando de “montanhistas” faz então os seus planos para a última escalada. Embaixo, riachos serpejando, escachoadas de penedias, encontram os remansos dos vales. Tortuosos caminhos passam beirando os abetos que escorrem pelas colinas mais embaixo, eu se espraiam pelos vales. Mais além um vilarejo entre dois montes, está tranqüilo, impossível, sem problemas que os esportistas atrevidos tem de resolver, antes da sua última vitória... O mundo parece estar parado, na sua magnificência. Apenas o marulhar de vento entre as penedias quebra o silêncio. Mas ouve-se de repente, a vez decisiva de um dos arrojados alpinistas. É um plano de escalada que deve ser seguido. É a vez da experiência escalavrada, surrada por anos e anos de ascensão. Todos os companheiros obedecem. O último monte que está na frente vai ser dominado. Atacaremos o gigante pelo sul – diz o esportista de experiência – para isso teremos que fazer uma grande curva, mas é o único caminho. Apressem as cordas que temos que descer por aquelas rochas, em frente, antes da escalada final. Todos concordam, e confiantes e felizes, seguem a sua perigosa reta, para conseguirem mais uma conta brilhante no seu colar de vitórias. (transcrito do “Almanaque do pensamento” – 1960). Correspondências Recebidas C.E.Light; Atlanta Clube; Circulo de Marumbinistas de Curitiba; Sr. Carlos Pereira Guimarães Filho Diretor da CPCM. Expedidas Boletins aos associados e entidades co-irmãs; cartões de felicitações aos aniversariantes. Oferecimentos
Aniversariantes 17 – Luizinha Proximas Reuniões Do Departamento Técnico – 11
de abril Já Estamos Registrados em Cartório No Diário Oficial do Estado, de nº 51, de 6 de março de 1961. Parte I, fls. 4242, foi publicado o extrato do Estatuto do C.E.G., que foi registrado em cartório no livro A5 sob o nº 8364 em 8 de março de 1961. Pode dizer se que é o último ato para a maturidade do Guanabara, de vez que embora ainda faltam algumas providências, inclusive junto ao C.N.D., o registro em cartório é o nosso reconhecimento como personalidade jurídica. Já agora temos uma lei, pois de acordo com o disposto no art. 63 nosso Estatuto entrou em vigor na data de sua publicação. Como decorrência disso, temos fixado nossos direitos e nossos deveres, o que longe de significar mudança de atitude dentro do C.E.G., quer dizer apenas que agora temos por onde nos orientar na resolução de nossos problemas. O registro do Estatuto em cartório, também significa possibilidade de apresentar aos novos sócios uma norma de ação do clube, a que deve submeter-se o que justifica que possamos agora incentivar o aumento do quadro social, dentro dos moldes anteriores, porém em caráter mais intenso. Também como conseqüência desse registro foi convocada para ás 17 horas do dia 29 de abril, Assembléia Geral para eleição de Presidente, Vice-presidente e Tesoureiro, para um mandato de dois anos, ficando o Conselho Deliberativo para quando o C.E.G. possuir 200 associados. De fato, muita coisa ainda resta por fazer para que nosso clube alcance o grau de evolução que se pode desejar. Essas realizações, contudo atuam como estimulo para a Diretoria, ao qual vai juntar-se o apoio que os sócios nos devem com a sua presença e suas sugestões. Manoel Armando Aos sócios em atraso solicitamos que se comuniquem com a tesouraria. Adquira flâmulas e escudos do C.E.G. – Informações com a 1ª secretária. Homenagem Completam este mês mais um ano de atividades excursionista, o CENTRO EXCURSIONISTA MORRO AZUL (CEMA) e o CÍRCULO DE MARUMBINISTAS DE CURITIBA. Associando-se a esses acontecimentos, enviamos as nossas sinceras felicitações. Biblioteca Caro consócio, visite nossa Biblioteca quando for a sede. Atualmente contamos com alguns volumes interessantes relativos a turismos, excursões, etc. Estamos com cerca de 70 volumes entre livros, livretos, folhetos, revistas, etc. O associado Adir Moysés Luiz é o leitor mais assíduo, havendo retirado o maior número de livros. Alteração na Diretoria Em virtude do pedido de Demissão apresentado pelos 1º e 2º Diretor Social o Sr. Presidente convidou a associada Mirthes Jesus Lima Beleza para exercer o cargo de Diretor Social, tendo a mesma aceitado e tomado posse. Até segunda ordem... Fica extinto o cargo do 2º Diretor Social. Guanabariano, cumpra o teu dever compareça à assembléia geral do dia 29. Programação para o mês de abril de 1961.
Inscreva-se na sede ás quintas-feiras, para as atividades que deseje participar. Resoluções do Departamento Técnico Aprovadas pela Diretoria a) Participantes que se inscrevem em várias atividades, principalmente em escaladas, mas não comparecem nem dão satisfações: Inscrevendo-se e faltando, sem aviso prévio a três excursões consecutivas ou a cinco alternadas no espaço de seis meses, o Departamento Técnico levará ao conhecimento da Diretoria para resoluções. b) O guia que faltar a três reuniões ordinárias consecutivas, sem justificativa, será passível de pena aplicada pelo Departamento Técnico, e ouvido o pronunciamento da Diretoria. c) Os futuros relatórios deverão ter completos os horários e participantes (sócios e convidados) datilografados ou escritos em papel anexo, tudo muito bem discriminado e assinado pelo guia; Taxa de inscrição: O sócio é responsável pelas despesas desde que inscrito. Só poderá haver substituição aceita pelo guia. O participante que se inscrever, mas não pagar (depois de avisado até a data marcada para efetuar o pagamento) poderá ser excluído. Excursões de grandes despesas em que a atividade não seja efetuada, mas que tenham sido feita despesa anterior haverá prejuízo para o C.E.G. d) Todo material do C.E.G. terá de ser requisitado ao Diretor Almoxarife na quinta-feira anterior a atividade. Não será permitida a retirada de material para excursões particulares. O Diretor Técnico fornecerá o material no impedimento do Diretor Almoxarife ou a primeira secretária, no impedimento destes, deixando o guia uma nota de que foi retirado. O sócio ficará responsável pelo participante que trouxer. O guia tem o direito de recusar qualquer participante. As matérias aqui publicadas não representam necessariamente a posição oficial do Centro Excursionista Guanabara. Ressaltamos que este é um espaço aberto a todos que queiram contribuir. |