| Boletim
de Junho de 2008
Esta excursão foi marcada com o objetivo de completar a minha ETG que tinha como último requisito uma caminhada pesada com bivaque na Serra dos Órgãos. Foi remarcada duas vezes devido ao mau tempo, mas finalmente consegui o final de semana ideal para que ela pudesse acontecer, no dia 17 de maio de 2008. Contatei rapidamente os participantes mais interessados e o meu supervisor, Ivan. Após muitas mudanças, o grupo era composto por Igor, Carlos Neves, Ivan e eu. Nos encontramos às 13h do sábado e partimos para Teresópolis. Embora a previsão do tempo fosse muito boa para o fim de semana, a tarde permanecia nublada e todos os picos estavam cobertos por densas nuvens. A esse momento nos perguntávamos o que iria acontecer naquela noite, e eu e o Ivan assustávamos os participantes com gargalhadas macabras. Chegamos ao parque onde nossos ingressos já estavam reservados e iniciamos a caminhada às 15h45 sob uma fina serração. A subida inicial como sempre foi muito penosa, mas mantivemos um ritmo constante e às 20h chegamos ao Abrigo 4. Chegando lá, encontramos o local completamente tomado por barracas, mas mesmo assim, encontramos um lugar bom entre duas barracas as quais foram usadas para prender nossa lona de bivaque. Estendemos os quatro isolantes lado a lado e jantamos nossos sanduíches. À noite o tempo melhorou e a lua estava cheia com o céu bem estrelado. Conversamos por algum tempo, mas logo o cansaço tomou conta e nos preparamos para dormir. Durante a madrugada a temperatura baixou bastante e pela manhã o termômetro marcava 6 °C. Não consegui dormir quase nada e às 4h50 me levantei, cansado de ficar deitado olhando o céu. Acordei o Ivan e passamos o resto da madrugada ouvindo o ronco de nossos colegas. Às 6h20 saímos em direção à Pedra do Sino. Passamos pelo cume do Sino e começamos a seguir a crista em direção ao cume do Garrafão. O dia estava ensolarado e não houve dificuldade para se orientar até o último colo que nos separava do cume. De lá vimos as barracas do grupo do CBM que estava no Morro da Luva. Achamos a gruta que dá acesso à descida às 8h05. Descemos um pequeno rapel dentro da gruta onde deixamos uma corda fixa para a volta e descemos o trecho de cabo de aço de rapel com uma corda de 60 metros. Subimos ao cume às 9h17 onde fixei um corrimão, e escrevemos no livro de cume. Do cume vimos o grupo da Travessia em movimento ao qual acenamos com resposta. Mais tarde descobrimos que era o Japonês acenando com espelhos. Ver o pessoal do CBM na Travessia me trouxe recordações muito boas do passado. Dei-me conta de que estava encerrando uma etapa importante, iniciada com tanto entusiasmo há cinco anos, exatamente como aquele grupo do CBM. Alguns dos mesmos amigos que fizeram a Travessia comigo, como o Boris e o Ivan, agora encerravam a Escola de Guias comigo. Fiquei contemplando a paisagem montanhosa lembrando de todas as excursões que fiz na Serra dos Órgãos, com um certo saudosismo do que estava deixando para trás, mas com uma sensação de felicidade e plenitude por ter vivenciado todos aqueles momentos especiais. Comemoramos o nosso sucesso de chegada e após comida e fotos iniciamos a parte que seria a mais difícil para o Carlos Ximbica e Igoró, a subida do cabo de aço. O cabo estava encharcado e gelado, de forma que levamos o dobro do tempo neste trecho. Após muitas risadas às custas um dos outros conseguimos sair daquela imundice com a corda totalmente encharcada. Ao sair da gruta, novamente do outro lado do colo, perguntei quem poderia carregar a corda na volta e Igoró alegremente aceitou o peso. Mais alegre ainda fiquei ao despejar os 10k de corda nas costas daquele varapau, que envergou, mas não caiu. Durante o retorno encontramos com os nossos amigos da Travessia no Abrigo 4 e continuamos a descida pois agora Ximbica encontrava-se em transe e descia sem freio pelas curvas em direção ao conforto do banco de trás do carro. No meio da descida percebemos que Xibiu andava como um bêbado cambaleante e, em uma curva muito fechada conseguiu quebrar o stick que Igoró havia lhe emprestado com tanto carinho. Chegamos à barragem às 16h55 e após o banho fomos comemorar no Paraíso das Plantas. Tomávamos uma cerveja quando o Sblen chegou do Dedo de Deus seguido pelo grupo da Travessia, guiado por Rodolfo, Fred e Saraiva. Conversamos sobre nossas excursões e comemoramos o sucesso naquele final de semana glorioso para o Guanabara. Descemos de volta ao Rio enquanto Boris ainda estava descendo do Dedo de Deus com outro grupo. ETG encerrada e mais uma etapa cumprida. Gostaria de agradecer a todos os amigos que de uma forma ou de outra se envolveram na minha formação. Mais do que mestres eu os considero parte de uma grande família. Carlos (Xuxu) Arruzzo Excursão para Salinas – Feriadão de Corpus Christi (22 a 25 de maio de 2008) Chegamos à madrugada de quarta (21) para quinta-feira(22). O Xuxu e o Play estavam com tanta sede de escalar em Salinas que queriam chegar o quanto antes. Acordaram poucas horas depois com visível empolgação no rosto. Quando eu saí da barraca e vi os três picos bem na minha frente eu mal podia acreditar. Foi uma surpresa acordar e dar de cara com toda aquela imponência. A casa do Mascarin não podia ser mais bem localizada. Após o café os dois foram escalar uma via no Capacete, chamada Roberta Groba. O Boris foi com o Brilhante e a Larissa, dois escaladores de São Paulo, na via El Cabong, à esquerda da Roberta Groba. O Sblen e a Kika foram escalar no Pico Maior. A maior parte da galera chegou na quinta-feira. Havia sete barracas montadas quando chegamos naquela madrugada e no final do dia havia 25. No total foram 30 barracas, o recorde, segundo Mascarin. O clima foi muito legal, eram tantos montanhistas juntos, alguns vieram de tão longe, amontoados de frente para os três picos, como se estivessem em reverência. A noite veio e logo esfriou. Tirei da mochila o gorro, as luvas, o casaco e o anorak. Não é exagero, fez muito frio mesmo. O céu estava surpreendente, totalmente estrelado. Como não há luzes da cidade por perto é possível ver todas as constelações com clareza. O Schmidt nos deu uma aula de astrologia. Na sexta-feira fizemos a caminhada mais bonita da região: a Cabeça de Dragão. Após um café da manhã reforçado servido pelo Paulo Mascarin e sua esposa muito simpática, Rose, encaramos a trilha. Orientados pelos guias Schmidt e Boris, o grupo de 11 pessoas era formado na maioria por sócios do Guanabara (Xuxu, Nicole, Dione, Jorge e Batman, estes três últimos do CBM 2008.1) e alguns convidados (Menino de Olho Azul + Marcia, Larissa e sua amiga Tatiana). Partimos da casa do Mascarin às 9h30. O trecho inicial é aberto e a paisagem, belíssima. Logo no início o gramado estava coberto de pinhões caídos das árvores, mal sabíamos que mais tarde eles seriam ingredientes do nosso tão esperado jantar: strogonoff de file mignon e pinhão, acompanhado de vinho tinto. Durante todo o trecho inicial podíamos acompanhar a escalada do pessoal no Capacete. O trecho de subida, indicado por uma placa, “Cabeça de Dragão”, é fechado pela mata, um bosque lindo e muito interessante. Nesse trecho era preciso ficar atento às marcações da trilha – as fitas azuis amarradas nas árvores – pois há alguns atalhos que podem confundir. Passando do bosque, já na crista da montanha, vimos de frente a imponência do Capacete e a perfeição da Caixinha de Fósforos à direita, uma pedra quadrada equilibrada em cima de uma pedra maior. O dia estava lindo, o clima ótimo e não havia sequer uma nuvem no céu. A visibilidade estava perfeita e podíamos avistar do cume, a 2.018m de altitude, as montanhas do parque de Três Picos, o Morro da Caledônia à direita, toda a Serra dos Órgãos ao longe, e, pasmem, até o Pão de Açúcar. No cume encontramos o casal Daflon. Lanchamos, batemos papo, tiramos fotos e descansamos, não dava vontade de descer de tão agradável que estava no cume. O visual é de tirar o fôlego. Voltamos ao acampamento às 15hs. Alguns corajosos encararam o banho de ducha de água gelada a céu aberto. Essa ducha tem história. Ela tem uma interessante portinha, mas é totalmente aberta nos outros três lados. O Mascarin às vezes coloca uma lona em volta para dar mais privacidade, mas desta vez não havia, fato que não parecia preocupar muito os usuários. O Schmidt não se conteve ao ver o Xuxu tomando banho de sunga e foi esfregar as costas dele, num gesto de amor fraternal. Outros preferiram encarar a fila do banho quente no banheiro do Mascarin. Valia a pena, já fazia frio, a água estava gelada e já estava escurecendo. Ao anoitecer o programa era sentar de frente para os picos para acompanhar a novela da descida e comentar as atividades do dia, ao som do violão, com um copo de cachaça na mão e abrigados com casacos, meias e gorros para proteger do frio. À noite o Pico Maior e o Capacete pareciam “árvores de Natal”, com luzes piscantes das lanternas de cabeça de escaladores fazendo o rapel. Eram tantas luzes que parecia uma continuação do céu estrelado. Como as vias são longas, é comum fazer cume à noite e, com a dificuldade de achar o rapel no escuro, muitos escaladores levam horas para descer. O pessoal que escalou chegou muitas horas depois. Quando tínhamos acabado de jantar chegaram o Playboy e o Emiliano. Os dois haviam feito a via No Mundo da Lua, no Pico Maior, na estréia do Emiliano em Salinas, e, segundo o seu guia, ele arrebentou. Enquanto eles tomavam uma sopa revigorante, nós tomamos uma Decisão (cachaça). O Batman tomou tanta Decisão que ficou falando quase a noite toda, sentado no banco, com seu amigo imaginário. O sábado era mais um dia de escalada. O Xuxu e o Jorge, o Boris e o Batman foram escalar, em duas cordadas separadas, a via Fata Morgana, ao lado da CERJ, também no Capacete. No domingo, quando a maior parte das pessoas se despedia para voltar para casa, o Sblen, a Marcinha, a Kika e a Helena fizeram a última escalada do feriadão no Pico Maior. Usando as palavras do Borinho, esse foi mais um final de semana glorioso para o Guanabara. Nicole Ingouville Salinas: Uma Incrível Caminhada à Cabeça do Dragão O feriadão de “Corpus Christi” (22 a 25/05) foi “comemorado em grande estilo” em Salinas, por uma galera do CEG que tomou um grande espaço da área destinada a acampamento pelo Mascarin. Havia, se não me engano, umas cinco barracas nossas. Uma parte subiu no dia 21 à tarde e eu segui no dia 22 (entre 9h30 e 12h40) e outros foram chegando ao longo do período. Boris fez o relatório das atividades: Quinta-feira (22)
Sexta-feira (23)
Sábado (24)
Domingo (25)
Inicialmente, havia sido combinado com o Francisco Saraiva que iríamos fazer a caminhada ao Caixa de Fósforos no sábado, mas Francisco não conseguiu horário no trabalho e não pôde seguir para Salinas na noite de sexta. Como algumas pessoas já haviam ido ao Caixa de Fósforos, na quarta, e havia muitas pessoas que não conheciam o “Cabeça” resolvemos montar uma caminhada na sexta (23). Foi o que de melhor aconteceu em termos de caminhada naquele feriado! O tempo estava glorioso! Uma visibilidade incrível! Foi possível ver as montanhas do Rio (Pão de Açúcar, Corcovado, Tijuca), além de se ver com detalhes o perfil da Serra dos Órgãos e as Torres de Bonsucesso. Isso, sem contar com a visão das montanhas de Conceição de Macabu, Santa Maria Madalena e Trajano de Morais. Encontramos no caminho com Flavio Daflon e Cintia, que aproveitavam o dia lindo para “descansar” das escaladas que fizeram e ainda iriam fazer no complexo dos Três Picos e Capacete. Tive de retornar ao Rio no sábado pela manhã, dando carona para Dione e Nicole, pois seus “respectivos” iram escalar e voltar à noite. A família Mascarin continua dando um show de hospitalidade, mesmo em condições adversas (seu filho convidou uma galera de 15 colegas para passar o feriado lá). Mesmo assim, tudo estava funcionando bem, com a qualidade da comida sempre em alta e o Mascarin se desdobrando em atenções com os hóspedes e acampantes. Foi também a introdução às escaladas em Salinas dos sócios: Emiliano, Jorge e Claudio Batman participando das vias “No Mundo da Lua e Fata Morgana” Foi, sem dúvida alguma, um feriadão de primeira classe! O Mal da Montanha poderá dar conta do episódio da “Decisão” do Batman! Mas isso deverá ser motivo de outra matéria.S Roberto Schmidt de Almeida
Mas um detalhe me chamou a atenção: Rosa era de origem judia e Elza era alemã. Naquela época, a Europa era varrida pelo ódio dos nazistas para com os judeus. E Rosa e Elza souberam cultivar uma grande amizade, acima de todo este preconceito, sintetizando a essência montanhista, que todos na montanha somos iguais e apenas queremos passar um belo dia na montanha rodeado de amigos. Waldecy Mathias Lucena Carlos Alberto (Xuxu) Arruzzo é o mais novo guia do Guanabara. Seu encerramento da ETG foi marcado por sua última excursão obrigatória, caminhada com bivaque ao Garrafão no PNSO, com Ivan, Carlos (amigo do Ivan) e Igor, no sábado, dia 17 de maio de 2008. Xuxu começou a Escola Técnica de Guias em 2006, junto com o Boris e o Ivan, guias formados após a excursão à Patagônia em janeiro de 2008. O ano de 2007 não foi um ano fácil para o novo guia, que teve que conciliar as aulas da ETG com os estudos para a residência médica. Dr. Xuxu foi aprovado nos dois desafios. A comemoração com a entrega do famoso mosquetão prateado foi realizada na quinta-feira, dia 29 de maio, na sede do CEG, com muitos brindes de cerveja, churrasco nota 10, deliciosos quitutes e brownies. Aniversário do Centro Excursionista Petropolitano (CEP) Aconteceu no dia 17 de maio de 2008, sábado, a festa de 50 anos da fundação do CEP. Foi a mesma realizada no “Esporte Clube Magnólia”, naquela cidade, contando com mais de 350 convidados. O nosso sócio-colaborador “Sobral Pinto” organizou e montou, a pedido do CEP, sua maior “Exposição” até hoje realizada pelo mesmo, com quase 50 painéis 50 x 70 cm, com motivos de escaladas e caminhadas no P.N.S.O. (Agulha do Diabo, Dedo de Deus, Nariz do Frade, Pedra do Sino e muitos outros pontos daquele parque). O Sobral foi agraciado, nessa festa, com o Título de Sócio Honorário, pelos serviços de divulgação do CEP, desde a sua fundação, pois as três primeiras exposições, foram também organizadas pelo mesmo, no “Anexo” do Museu Imperial de Petrópolis (RJ). Foi muito bonita essa festa de congraçamento entre clubes co-irmãos de excurcionismo, com a presença do CERJ, CEB, CEG e outros. VII Encontro de Escaladores da Serra do Lenheiro Entre os dias 6 e 8 de junho acontecerá o VII Encontro de Escaladores da Serra do Lenheiro. O evento contará com palestras, workshops, mesa redonda entre escaladores de renome nacional e estandes de venda de equipamentos. Mais informações: Luiz Cláudio (32) 3371-9675 - Márcio (32) 3371-4752. As matérias aqui publicadas não representam necessariamente a posição oficial do Centro Excursionista Guanabara. Ressaltamos que este é um espaço aberto a todos que queiram contribuir.
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