Boletim de Novembro de 2000
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Mistério no Diedro Infernal  

No último final de semana de outubro escaladores que frequentavam o local descobriram que todos os grampos do Diedro Infernal (também conhecido como Diedro Pégasus) tinham desaparecido. Tal fato causou enorme surpresa em todos e uma enxurrada de e-mails de protesto no grupo de discussão na Internet. Apesar da via poder ser toda escalada em móvel, a retirada de grampos sem a consulta prévia ao seu conquistador ou ao clube que a mantém, assim como o acréscimo de outros, é considerado grave falta ética no montanhismo. Para se tirar qualquer dúvida, tanto o Tunico (conquistador da via), quanto o Centro Excursionista Petropolitano (para quem ela foi doada), foram indagados a respeito e informaram não terem sido comunicados. Com o dano já feito, a FEMERJ já pensa na regrampeação da via, mas agora, com grampos de 1/2” em substituição aos de 3/8”, a pedido do próprio Tunico. Fica agora somente o mistério a respeito de quem retirou os grampos. Quem souber de alguma informação entre em contato conosco pelo e-mail guanabara@guanabara.org.br ou com o e-groups da Interclubes. 



Palestra da Sandra Corso Escaladas nos EUA 

Sandra Corso vai fazer uma Palestra no CEB. A data está marcada para dia 09 de janeiro de 2001, às 19:00hs. Vamos lá prestigiar! Nesta projeção de slides ela mostrará, escaladas no North Cascades (Washington), Colorado e no Novo México. 
Sandra e uma escaladora brasileira com muita experiência e Instrutora de Alpinismo/Montanhismo, que esta a alguns anos nos USA e conhece muito as boas e belas escaladas daquela região e tem muita coisa legal pra mostrar aos Escaladores brasileiros. 

Vale apena conferir... 


Palestra no CEC 

O Departamento Técnico do CEC gostaria de convidar a todos  para a Palestra “A Biomecânica da Escalada em Aderências: a Ciência por trás do Esporte” a ser realizada pelo Flavio Aguiar, que será realizada no dia 22 de novembro de 2000, quarta-feira, começando às 21:00hs na sede do Clube Excursionista Carioca,  Rua Hilário de Gouveia, 71 / 206, Copacabana. 
É Imperdível! 

Abraços, 

Marcelo Roberto Jimenez 


Lançamento do Guia de Escaladas de Itatiaia 

Depois de muito trabalho, finalmente será lançado o Guia de Escaladas de Itatiaia de Alberto e Fábio Guedes. O guia, com 112 páginas, traz 166 vias de escaladas com comentários, croquis, fotos, além de curiosidades da região, uma breve sobre a história do alpinismo no Brasil e no mundo. Ele busca registrar e informar as conquistas no Itatiaia a toda comunidade escaladora, e também levar aos simpatizantes do esporte e visitantes dessa região o nosso esporte. 

Aqui no Rio de Janeiro, o seu lançamento será no Escalada Café (Rua Capitão Salomão, 55 – Botafogo) no dia 29 de novembro às 19:30h. 


Tiros nas vias do Dona Marta 

Atenção montanhistas. Quem for escalar nas vias do Dona Marta, muito cuidado para não terminar a descida à noite. Recentemente houve caso de tiros vindos da favela em direção aos escaladores e suas lanternas de cabeça. Felizmente ninguém se feriu. Como nunca foi registrado nenhum problema durante o dia e o pessoal que conquistou essa vias chegou mesmo a ter contato com os moradores da comunidade,  acreditamos que os que atiraram, não querem ninguém por ali à noite, portanto, fiquem atentos.  


Ata da Reunião da FEMERJ 

Ata da primeira reunião mensal da FEMERJ realizadas aos trinta e um dias de outubro de dois mil, na sede do Centro Excursionista Brasileiro, na Avenida Almirante Barroso nº 2 - 8º andar, tendo início às 20:00horas, tendo a presença das seguintes pessoas: Dalton Chiarelli, Bernardo Collares (CEC), Gustavo Sampaio Rego, Jana Menezes (CERJ), Thiago Bastos, Mario Richard (CERJ), Flavio Carneiro, Alexandre Diniz (CEB), Flavio Wasniewski, Priscila Botto (CEC), Marcelo Roberto (CEC), Francisco Bomtempo (CEG), Flavio Aguiar (CEL) e Jeronimo (CEC), Vicente (Diretor do Parque Nacional Serra dos Órgãos). 1) – Bernardo explicou que a FEMERJ já está registrada faltando apenas o CNPJ junto a Receita Federal. Gustavo Sampaio assinou o documento para dar entrada na Receita Federal; 2) - discutiu-se a situação do acesso ao morro do Babilônia, que foi interditado devido ao incidente do cabo de tração do bondinho. Gustavo Sampaio averiguará a situação com o Pellegrini para saber como e quando o acesso será restabelecido; 3) - foi apresentada uma nota de agradecimento enviada pelo Pedro Meneses, Diretor da gestão compartilhada do Parque Nacional da Tijuca, pela participação da FEMERJ no mutirão de limpeza do lixa lançado na face sul do Corcovado; 4) – foi apresentado o Ofício nº 825/SMAC da Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, assinado pelo Secretário Municipal de Meio Ambiente, Mauricio Lobo, informando sobre o processo de abertura da trilha Horto-Paineiras, cujo nº é 14/002-439/98; 5) - a FEMERJ agradece a montanhista Priscila Botto pelo belo trabalho realizado na organização das atas das reuniões da então Interclubes, cujo original se encontra no CEC a disposição de todos para copiarem; 6) - foi discutido a questão da retirada dos grampos do Diedro Pégaso, no morro do Babilônia. Bernardo Collares e Chiarelli ficaram de entrar em contato com os conquistadores a fim de saber se houve a devida autorização. Caso não tenha havido, os grampos serão recolocados; 7) – a FERMERJ comprará 50 grampos como Chiquinho de Petróplis para serem usados na conservação e restauração de vias já existentes; 8) - Gustavo Sampaio, seguindo decisão da FEMERJ, conversará com o escalador Hillo para a retirada dos grampos da via Jacques Costeau, no morro do Babilônia; 9) - foi decidida a regrampeação da via Ás de Espadas, na face sul do Pão de Açúcar. O encarregado pelo trabalho é Bernardo Collares; 10) - Vicente notificou o começo das obras de restruturação do PNSO, com a construção de abrigos, museu e a conservação de trilhas e escaladas; 11) - O Vicente informou que os clubes e as escolas de escaladas tem direito a um desconto de 50% (cinquenta por cento) na entrada do PNSO. Em princípio ficou acordado que a forma do montanhista se identificar e ter direito ao desconto, seria através da carteira da FEMERJ; 12) - Vicente pediu que fossem dadas sugestões a fim de controlar o numero de pessoas entrando no PNSO. Sem mais a reunião terminou as 22:40 horas.


Limpeza no Corcovado 

No final de outubro foi feito um multirão de limpeza da base da face sul do Corcovado  organizado pelo PNT,em conjunto da Guarda Municipal, Fundação Hipoocantus, COMLURB e voluntários.Trinta pessoas retiraram cerca de 500 Quilos de lixo de todos os tipos, tais como: latas, cadeiras de fibra, um aquecedor, peças de andaime etc. A FEMERJ estava representada por Gustavo Sampaio e Flávio Carneiro que guiaram o grupo até a base da montanha com a presença do diretor do PNT. O escalador Híllo Santana esteve presente no local ajudando na retirada do lixo. 

Acredito que cerca de 70% do lixo visual tenha sido retirado.Oficialmente o próximo multirão no local será feito em março de 2001, mas nada impede de se organizar outro antes do tempo previsto. Iniciativas como essa devem ser estendidas para outras áreas. Esperamos que a presença de escaladores seja cada vez maior e mais ativa nos próximos multirões e manifestos. 
Abraço a todos, saudações da montanha ... 

Flávio Carneiro (Limite Vertical)

Erro fatal no Pão de Acúcar 

“ Eles não eram “turistas” nem eram inexperientes ao subir pelo CEPI (cabo de aço). Dois escaladores paulistas, que escalaram a tradicional via dos Italianos, 5º, na face oeste do Pão de Açúcar, e foram descer ao final da via. Num dos rapéis, o Daniel Soares provavelmente deve ter armado o aparelho de descida de forma errada e, ao soltar sua ancoragem para ficar na corda, despencou. Infelizmente o escalador não sobreviveu aos inúmeros ferimentos decorrentes da queda. 
Eu entendo que para nós é mais acalentador imaginar que foi um ato imprudente de um escalador ou ainda, de um inexperiente. Mas não. Era um escalador como nós, que teve o azar de cometer um erro. 

Errar é humano. E, infelizmente, no nosso esporte um erro pode ser fatal. O que importa agora é o seguinte: - você revisa sempre se o seu aparelho de descida está corretamente armado antes de se soltar da ancoragem? - você checa sempre se fechou o baudrier/cadeirinha antes de começar a escalar? - confere se o nó de encordamento está feito corretamente antes de começar a escalar? - dá nó no final da corda em todos os rapéis? - Temos que ter o hábito de sempre revisar tudo antes de colocar o pé na primeira agarra da via, e antes de se pendurar na corda para cada rapel. Não custa nada checar e usar backups de segurança, pois um dia nós poderemos errar. E tomara que esse erro não seja fatal.  

Marcela Chaves

Precisos Caminhos 

Havia crescido e vivido aos pés do horizonte, e precisava ver com os seus olhos algum dia então responderia uma pergunta que pairava “oque guardo em segredo pequeno ser?” 

Sabendo que portava um horizonte maior que aquele que lhe confrontava, decidiu então:  vestiu-se não só de cordas, ganchos e pinos, mas certeiro despiu-se das dúvidas, tristezas e tolas motivações trilho caminhos onde não havia vícios e resíduos subiu, virou, desceu e folegou pulou, arranhou e torceu hematomas, cãibras, paraou, descansou e retornou denovo passou por onde a natureza criara perfeitas imperfeições, e quando ao cume chegou, a pergunta se fez novamente “oquê guardo em segredo pequeno ser?” 

- Nada além da harmonia, respondeu. 

Se estou aqui e respiro livre este ar puro que me envolve,  é porque leve estou também, e o único peso que havia dissolveu-se de mim. Não me envaideço.  Mas feliz por contemplar lembrarei-me que não te desafiei. Vim aqui para agradecer, por você existir... 

 ”Emanuel camarada” 
(Texto dedicado ao Sblén)

O Sistema Brasileiro de Escalada 

Tenho percebido alguma confusão entre os associados, e até mesmo entre os guias, com relação à correta utilização do sistema brasileiro de graduação de escaladas. 

Primeiramente, faz-se necessário ressaltar que o nosso sistema de classificação de escaladas foi proposto pela antiga Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro (extinta – não confundir com a Federação recém inaugurada) em 1975 e é reconhecido internacionalmente, citado, inclusive, no famoso “Freedom of the Hill”, principal referência norte-americana sobre montanhismo. 

A confusão em torno do sistema brasileiro de graduação de escaladas é natural, resultante da maior influência de outros sistemas de classificação (principalmente do norte-americano e do francês) sobre os escaladores cariocas, em face do aumento de intercâmbio e das diferentes inovações utilizadas pelos guias de escaladas lançados no Rio. 
Diante deste quadro, a antiga Interclubes (agora  elevada a Federação) promoveu um seminário sobre o tema, onde foi elaborado um projeto de reforma do nosso sistema, que já foi enviada para análise em outros estados e que deve substituir o sistema atual. 

A proposta, de uma forma geral, mantém as características principais do sistema atual e adiciona novas formas de classificação. O novo sistema permitirá um maior detalhamento das vias mais difíceis e complexas e um menor detalhamento para vias mais simples e menores. 

Começaremos pelo sistema atual, constituído de 4 itens (graduação geral, graduação do lance mais difícil, graduação de artificiais e pontos de apoio isolados), analisando suas modificações e em seguida as inovações. 

1) Classificação Geral – A primeira parte da graduação deve ser expressa em algarismos arábicos e informa a dificuldade geral da via, incluindo a graduação geral dos lances, o tamanho e duração da escalada, a exposição, a dificuldade de acesso, entre outros. Classifica as escaladas do 1º ao 8º graus, mas é aberta para cima permitindo a inclusão de vias mais difíceis no futuro, e não possui subdivisões como 4ºsup, 3º+ ou 7ºa. 

A proposta do novo sistema incorpora a tendência de não classificar com o grau geral as vias com até 1 enfiada (30m), já expressa em guias de escaladas como o de Guaratiba (André Ilha). 

2) Classificação dos Lances – A segunda parte da classificação deve ser expressa em algarismos romanos e exprime a dificuldade do lance mais difícil da via, sem levar em consideração os trechos restantes. Para aferir o grau do lance mais difícil deve-se considerar a dificuldade técnica da ascensão e a exposição a que se submete o escalador. Classifica os lances de I a XI grau e, como o grau geral, não possui teto, permitindo a inclusão de lances mais difíceis no futuro. 

Em nosso sistema original, para aumentar o detalhamento e a precisão da graduação, a classificação dos lances foi subdividida com a inclusão de graus intermediários representados pela partícula “sup” de superior. 

Com o aumento da influência norte-americana e francesa, muitos escaladores passaram a intermediar o grau do “crux” da via com as letras: a, b ou c, no lugar do “sup”, obtendo um maior detalhamento. 

A proposta do seminário consiste em manter a subdivisão da classificação do lance com “sup” até o VI grau. Do VII grau em diante a subdivisão passará a ser feita com as letras a, b e c. Também incorporando uma inovação já utilizada pelos escaladores no Rio e expressa nos guias de escalada da Urca (Flávio Daflon e Delson de Queiroz) e de Três Picos (Alexandre Portela, Isabela De Paoli e Sergio Tartari). 

A classificação do lance mais difícil é obrigatória sempre (a única nas vias com menos de 50m e sem artificiais), mesmo que seja igual ou inferior ao grau geral da escalada. É que determinada escalada pode ser graduada de 5º grau devido à dificuldade de acesso, a sua grande extensão, ao pequeno número de proteções e a rocha quebradiça, embora a dificuldade técnica de seus lances não passe de IV grau e seu lance mais difícil seja de IV sup, sua classificação é 5º,IVsup  

3) Classificação de Artificiais – A terceira parte da classificação deve ser expressa pela letra A (maiúscula) seguida de um número de 1 a 3 e designa a escalada (ou lances da escalada) em artificial e expressa pela letra C (sem subdivisão), que informa a escalada (ou lances) com auxílio de cabo de aço. A graduação de artificiais original era a seguinte: (Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro, André Ilha e Lúcio Duarte). 

A1 – artificial fixa positiva ou negativa, artificiai móvel positiva, pêndulo, “trepa-ombros”, “trepa-grampos” e “laça-grampos”. 

A2 – teto em artificial fixo e artificial móvel negativo em rocha sólida. 

A3 – teto em artificial móvel, artificial móvel negativo com problemas (rocha em decomposição, fendas mal definidas, atrito excessivo), artificial com cliff-hangers. 

Note-se que alguns conceitos de escalada da época (1975), mesmo tratando-se de artificiais, caíram em desuso e hoje são considerados roubadas. A proposta de revisão é pela utilização do padrão internacional de classificação de artificiais, que divide a escalada artificial de A1 a A5 e do C para designar os cabos de aço, como já é de uso comum pelos escaladores e usado nos 3 guias de escalada citados anteriormente. 

O sistema internacional, descrito por Jim Bridwell no livro Climbing Big Walls, é traduzido pelo André Ilha em seu Guia de Escaladas de Guaratiba desta forma: 

A1 – proteções “à prova de bomba” (grampos, pitons bem batidos em rocha sólida, nuts e friends em colocações perfeitas, etc) e fáceis de colocar;  

A2 – idem, mas com peças nem sempre tão perfeitas e às vezes de difícil colocação; 

A3 – sequências de colocações delicadas, resguardadas por ocasionais peças (nuts, friends, pitons) “`a prova de bomba”; 

A4 – muitas colocações em série que só agüentam o peso do corpo do escalador sem quedas  - lance bem arriscado para o guia; 

A5 – pelo menos 20 metros contínuos de colocações que só agüentam  o peso do escalador – portanto, com quedas potenciais para o guia superiores a 40 metros. 

A cada um desses graus pode ser acrescentado, para maior precisão, de um “+”, equivalente ao “sup” dos lances livres (exceto, claro, para os cabos de aço). 

Deve-se destacar ainda que a cada classificação de artificiais é obrigatória, claro, somente quando houver um trecho neste estilo. 

1) Classificação dos Pontos de Apoio – É o quarto item da classificação tradicional brasileira e,  na verdade, trata-se de um sub-item da graduação de artificiais e consiste na indicação do número de pontos de apoio isolados utilizados para a progressão durante a escalada, colocado entre parênteses. Na medida em que a escalada é repetida sem a utilização dos pontos de apoio, o número entre parênteses é diminuído até desaparecer (o que pode aumentar o grau do lance ou o grau geral). 

É preciso ressaltar que quando nosso sistema de graduação foi elaborado, a concepção da escalada livre estava dominando a ética na escalada e, antes disso ocorrer, literalmente “valia tudo” para completar uma escalada. Boa parte das escaladas tinham grande número de “pontos de apoio” normalmente utilizados em sua progressão, a classificação dos pontos de apoio era uma forma de valorizar a diminuição das “roubadas”, comuns na época. 

A proposta do seminário, mantém a classificação dos pontos de apoio como opcional, podendo ser colocada logo após a graduação do artificial (ex. A2(5)). A notação AØ indica a utilização de um ponto de apoio. 

O sistema de classificação de escaladas brasileiro consiste nos itens descritos acima, a nova proposta inclui as modificações mencionadas e adiciona ao sistema as classificações seguintes: 

2) Classificação do Artificial feito em Livre – Pode ser utilizado quando em trecho de escalada em artificial começa a ser realizado totalmente em livre. É expresso pelo grau do lance em artificial e o grau do lance quando feito em livre entre parênteses e separados por uma barra. Esta classificação não é obrigatória e já consta dos guias de escalada da Urca e de Três Picos, trata-se portanto de outro item já utilizado no meio que é incluído na classificação brasileira tradicional. 
Deve-se ressaltar que o grau do lance quando feito livre deve ser expresso em algarismos romanos, comporta as mesmas subdivisões da classificação do “crux”, e informa a graduação do lance mais difícil e não em grau geral [ex.: (A1/VIIc) ].  

3) Classificação da Exposição – Foi proposta pelos autores do guia de escaladas de Três Picos e pretende destacar o grau de exposição de uma via do grau geral, permitindo um maior detalhamento. A classificação da exposição atende ao espaçamento e a qualidade das proteções, levando-se em consideração o risco a que se submete o escalador em caso de queda, bem como a dificuldade na colocação de peças móveis e a qualidade da rocha em que são postas.  

Esta classificação não é obrigatória, mas quando adotada deve ser posta no final da classificação completa da via e é expressa pela letra E (maiúscula) e dividida de E1 a E5, da seguinte forma: 

E1 – vias bem protegidas;  E2 – vias com proteção regular (ex.: vias do Babilônia); E3 – vias com proteção regular mas de trechos perigosos (ex.: via leste no Pico Maior);  E4 – vias perigosas em caso de queda;  E5 – vias muito perigosas em caso de queda. 

7) Classificação da Duração – Trata-se de outra característica da via que influi na aferição da sua graduação geral e é destacada, permitindo um maior detalhamento na classificação final da escalada. Consiste na informação do tempo necessário para realização de uma via em condições climáticas normais e é influência da escalada em “big wall”. Foi utilizado o sistema de graduação internacional com alguns ajustes na notação. 

Esta classificação não é obrigatória, mas quando adotada deve ser colocada no início da classificação completa da escalada e é expressa pela letra “D” (maiúscula) e dividida de D1 a D6, da seguinte forma: 

D1 – algumas horas de duração;  D2 - meio dia de duração;  D3 – um dia inteiro de duração;  D4 – um dia inteiro de duração com “crux” de no mínimo V grau;  D5 – um dia e meio de duração com “crux” de no mínimo VI grau;  D6 – dois dias ou mais de escalada. 

Exemplo do novo sistema: 

D3,  5º ,  IVsup  (A3+  (7) / VIIIc)  E3, onde: 

D3 = grau de duração (opcional) 
5º  = grau geral (obrigatório para vias com mais de uma enfiada) 
IV sup = grau do lance mais difícil (obrigatório) 
A3+ = grau do artificial (obrigatório) 
(7) = número de pontos de apoio (opcional) 
VIII c = grau do lance artificial feito em livre (opcional) 
E3 = grau de exposição (opcional) 

Lembramos ainda que a graduação no sistema brasileiro de classificação de escaladas expressa a dificuldade para quem vai guiar a via à vista e que o treinamento sistemático do lance ou a presença de uma corda vinda de cima reduzem a dificuldade da escalada. 

São normais as discórdias sobre a classificação correta das escaladas e variações de até um grau são consideradas normais, é que a aferição do grau de uma via não é uma ciência exata, dependendo muito das preferências de estilo e técnica do escalador que influenciam diretamente no grau que ele vai “sentir”. 

Espero ter sanado a maior parte das dúvidas, mas aqueles que ainda não estão satisfeitos podem procurar nas minhas fontes: Catálogo de Escaladas do Estado do Rio de Janeiro, André Ilha e Lúcia Duarte (1984); Guia de Escaladas da Urca, Flávio Daflon e Delson de Queiroz (1996); Guia de Escaladas de Três Picos, Alexandre Portela, Isabela De Paoli e Sergio Tartari (1998); Guia de Escaladas em Rocha – Guaratiba, André Ilha (1999); e Revista de Escalada – Fator 2, no. 9, em matéria do Flávio Wasniewski sobre o I Seminário sobre sistema de graduação também publicado no boletim da antiga Interclubes. Boas Escaladas! 

Beto.

Falando de Saúde

Açúcar Mascavo.  
É o açúcar de cana, natural e integral, que não passa pelos processos de refinação industrial. Tem aspecto marrom claro ou escuro, é denso e pesado com sabor semelhante à rapadura moída. Ele é rico em cálcio, ferro, potássio e carboidratos e várias vitaminas que o açúcar branco refinado não mais possui . Pode ser usado como substituo do açúcar branco por pessoas muito apegadas a este e que queiram possuir uma saúde melhor. O açúcar mascavo, apesar de não ser tão perigoso, é muito concentrado em carboidratos (açúcares). Pode produzir fermentações intestinais quando usado em excesso. Aconselha-se às pessoas que querem gozar de uma saúde melhor, a que usem o mascavo apenas eventualmente para a confecção de doces ou bolos. O ideal para uma alimentação perfeita é não usar nenhum adoçante, de nenhum tipo. As frutas, os cereais, as leguminosas possuem quantidades suficientes de glicose para as nossas necessidades diárias, mesmo que pratiquemos esportes. Antigamente não se usava absolutamente nada para adoçar sucos e outros alimentos, nem mesmo o mel de abelhas. O uso de adoçantes adicionais é uma criação da humanidade nos últimos 100 anos. Ao comprar o açúcar mascavo evite aquele que apresentar coloração um pouco amarelada e que seja muito fino, pois pode estar com acréscimo de enxofre. O ideal é o mascavo grosso, escuro, cheio de pelotas. Evitar também o açúcar demerara, o “douradinho” dos supermercados e todo o açúcar mascavo com rótulo de alguma grande empresa. De qualquer forma, o melhor mesmo é comprar o mascavo diretamente de usinas de pequeno porte e de pequenos produtores, que não usem agrotóxicos nas plantações de cana. 

Carvão Vegetal e Mineral.  
Desde tempos bem remotos o carvão, tanto vegetal como mineral, são utilizados em medicina. Ele possui ações bem marcantes no organismo. A sua ação absorvente permite que ele seja um excelente recurso no combate a gases intestinais, intoxicações alimentares e diarréias. Tem leve ação obstipante (prende os intestinos), mas pode ser usado regularmente em casos de prisão de ventre, desde que se compense a sua ação com agentes laxativos leves. Também permite uma maior oxigenação do tubo digestivo, além de absorver os gases tóxicos formados na fermentação digestiva. O carvão mineral utilizado na água (uma pedra de 50 g dentro de um filtro comum de água) favorece a desintoxicação orgânica e mantém a saúde, o vigor e a normalidade orgânica, combatendo inúmeros males. Nas lojas naturalistas e farmácias em geral, encontramos o carvão vegetal em forma de comprimido ou em pó. O ideal é usar 3 a 4 comprimidos 2 a 3 vezes ao dia para os casos indicados (diarréias, gases, fermentações, etc.) durante as refeições até que os sintomas cesse. Para as crianças, dissolver o pó ou o comprimido em água e misturar em sucos, sopas ou na água mesmo. 

(Guia Prático para o Uso Correto dos Produtos Naturais, Dr. Márcio Bontempo e Mirthes Y. F. Vieira) 
Nota: O carvão vegetal é o tipo de produto essencial para se levar no kit de primeiros socorros numa travessia, pois às vezes nosso organismo não reage muito bem a todas aquelas misturas que preparamos para nossas refeições. 

Curiosidades 

Café na medida 
O consumo recomendado de cafeína é de 200 a 300 mg por dia. Verifique a quantidade da substância nas bebidas abaixo: 
Café Expresso: 60 a 100 mg / xícara de café 
Café Comum: 50 a 65 mg / xícara de café  
Café Descafeinado: 3 mg / xícara de café 
Chá Preto: 50 a 65 mg / xícara de chá 
Refrigerante tipo cola: 40 mg / 360 ml = uma lata 
Achocolatados: 6 mg / colher de sopa 
(Isto É – 8 de novembro de 2000 – Fonte: Internacional Food Information Council Foundation, do livro Bella - Guia Prático de beleza e Boa Forma, Karla Saggioro)

Juliana Fell