Textos Técnicos


Aqui você encontra uma série de dicas sobremontanhismo.  Para selecionar um tópico, clique em cima do título.
 
Escale Esperto
Cuide de Seus Mosquetões
Cuidados com as botas de Couro
Rapel e Segurança
Tabela Comparativa de Graduação de Vias de Escalada
Hidratação e Atividade Física
Cordas de Escalada
Esclarecendo o que é um bivaque
Força de Travamento de Freios
Força de Travamento de Freios - Parte Final
Fatores de Queda
Sumário da Conferência Sobre Náilon e Cordas, Turim, 8 e 9 de março, 2002
Friends mais Amigos
Freio Oito
Nó UIAA
Distúrbios causados pelo calor
Relatório conclui: Rapel é o grande vilão das montanhas
Os melhores escaladores do século XX
A quem recorrer em caso de necessidade

Escale Esperto: 
  • Sempre verifique duplamente nós e fivelas do Baudrier, de todos da cordada.
  • Inspecione seu material sempre após o uso, e troque quando necessário.
  • Conheça seus parceiros de escalada e seus hábitos.
  • Dê atenção a avisos (escritos ou não). Eles podem salvar sua vida.
  • Preste sempre atenção ao clima.
  • O rapel  é a parte mais perigosa da escalada. Verifique sempre o sistema duplamente e dê um nó ao final da corda.
  • Use capacete. Pode salvar sua vida.
  • Rocha quebra, teste as agarras. 

 



Cuide de seus mosquetões:  

Se você já passou pela desagradável experiência de ter um mosquetão com a rosca emperrada no meio de uma escalada, você sabe do que estamos falando. 
Infelizmente a corrosão e a entrada de detritos na rosca são inevitáveis. E o que se pode fazer é remediar. 

Limpe seus mosquetões  regularmente com pano úmido, e passe óleo de máquina (Singer), quando a rosca estiver emperrando ou o gatilho não estiver abrindo e fechando normalmente. 

Lembre de tirar o excesso do óleo, pois seu contato com fitas e cordas pode ser prejudicial à saúde delas. E à sua também.  Além do que, uma mão cheia de óleo em uma escalada não deve ser agradável.

 



Cuidado com as botas de couro  

Botas são feitas de couro porque ele é confortável, resistente, naturalmente à prova d'água e respirável. 

Quanto menos água for absorvida pelo couro, mais ele dura e por mais tempo você terá sua bota confortável. 

Uma vez molhado, o couro esgarça e enfraquece, podendo rachar  conforme seca. 

O couro precisa então repelir a água para manter suas propriedades e ter uma performance ótima por vários anos. 

Para qualquer produto de couro que deva ser á prova d'água, recomenda-se o uso de graxa especial com propriedaddes à prova d'água. O mesmo serve para botas "Nobuk", que precisam de uma graxa especial. 

Para as botas de Gore-Tex a recomendação é a mesma, já que os produtos não afetam as propriedades do tecido 

RECOMENDAÇÕES GERAIS 

  • Cuide do couro da sua bota.
  • Use um selante para condições extremas.
  • Limpe sua bota sempre após o uso e aplique a graxa e o selante quando necessário.
  • Preste atenção nas costuras e nos ilhoses.
  • Deixe-a secar ao ar livre. Não use uma fonte de calor, como secador de cabelo, fundo de geladeira, etc.
  • Só faça reparos com alguém que realmente entenda de botas de caminhada.

 


Rappel e Segurança 

Como todos nós sabemos, o rappel é o procedimento mais perigoso durante uma escalada, seja por estarmos presos à corda apenas por um equipamento de freio (oito, cestinha...) ou pelo relaxamento causado pela sensação de término da escalada que a chegada ao cume promove. Tanto que pelo menos metade dos acidentes em montanha ocorrem durante o rappel. 

No entanto, esse risco pode ser diminuído tornando o rappel muito mais seguro. Para tanto, basta utilizar um nó prussik um pouco acima do aparelho de freio preso ao baudrier, ou abaixo, preso por um mosquetão ao baudrier na perna. Para descer, bastará controlar o rappel com uma mão e liberar o prussik com a outra. Qualquer problema o blocante fará o seu trabalho. 

O nó prussik pode ser substituído por um blocante mecânico, mas deve ser um blocante específico para este fim (ex.: Shunt da Petzl), não sendo recomendada a utilização de outros ascensores. 

Lembramos ainda que o magnone é um equipamento condenado por forçar o mosquetão na sua parte mais frágil e que o gri-gri não é recomendado para o rappel por ser um péssimo dissipador de calor, além de só permitir a descida em corda única. 

Outra boa alternativa é a utilização de freios específicos para rappel, como o rack ou o stop, embora o primeiro também não dispense a utilização de um prussik e o segundo, apesar de autoblocante só permite o rappel em corda única. 
Galera, é isso aí! Boas escaladas e não esqueçam do nó na ponta da corda durante o rappel. 

Beto.


 


Tabela Comparativa de Graduação de Vias de Escalada  
 
Brasil
Estados Unidos
França
5,9
5+
5º sup
5.10A
6A
5.10B
-
6º sup
5.10C
6B
7A
5.11A
6C
-
5.11B
6C+
7B
5.11C
-
7C
5.11D
7A
8A
5.12A
7A+
8B
5.12B
7B
8C
5.12C
7B+
9A
5.12D
7C
9B
5.13A
7C+
9C
5.13B
8A
10A
5.13C
8A+
          

 



Hidratação e Atividade Física 

Para um atleta ou esportista, muito treino é sinônimo de bom desempenho físico, certo?  Errado.  É claro que o treinamento é muito importante, mas se não houver uma boa hidratação o desempenho poderá ser prejudicado. 

Isto não parece ser uma grande preocupação dos montanhistas, que geralmente, transportam o mínimo de água possível, devido ao peso extra, e só bebem quando a sede é muito grande, para economizar o suprimento.  E agora, com o fim do verão, essa preocupação diminui na mesma proporção do calor. 

Vamos ver, então, qual a relação da hidratação e o desempenho físico. 
A água transporta nutrientes e produtos de degradação para dentro e fora das células através da corrente sangüínea, e um volume sangüíneo adequado é essencial para que o corpo possa dissipar calor através da pele e do suor durante o exercício.  Quanto mais elevada a temperatura, mais importante é a sudorese para a dissipação do calor do corpo. 

Grande parte da água corpórea perdida pelo suor e respiração vem do sangue.  Quando as perdas de líquido atingem níveis significativos, a sudorese e o fluxo sangüíneo para a pele ficam reduzidos e a temperatura central fica elevada.  Mesmo uma desidratação parcial compromete o desempenho: uma perda de 4 a 5% de água reduz a capacidade de trabalho em 20 a 30%.  Se a perda chega a 10%, leva ao colapso circulatório. 

A quantidade de perda de líquido depende da duração e intensidade do esforço, e da temperatura e umidade atmosféricas.  Sem exercício, um indivíduo produz cerca de 600 mL/dia de suor, enquanto que um exercício prolongado em ambiente úmido pode gerar de 8 ou 12 L/dia. 

A sede nem sempre é um indicador confiável da necessidade de líquido, principalmente em calor extremo ou suor excessivo.  Em condições normais, um adulto deve ingerir 35mL/kg de peso corpóreo, porém, durante a atividade física as perdas devem ser monitoradas pelo peso do corpo e cor da urina.  A perda de 1g de peso indica a reposição de 1mL de líquido e a urina amarelo-escuro pode indicar desidratação. 

Então, durante uma caminhada ou escalada, procure tomar alguns cuidados e observe seu rendimento daqui para frente: 

  • usar roupas leves
  • mantenha o ritmo respiratório e fale o mínimo possível
  • 2 hs antes do evento, beba 500 mL (2 copos de requeijão) de água 
  • 15 min. antes de uma atividade prolongada, beba 250 mL de água gelada (não se preocupe com paradas adicionais na montanha, pois durante o exercício o rim produzirá menos urina para compensar as perdas)
  • durante a atividade, em condições extremas de temperatura, beba 250 mL de água gelada a cada 20 min  (grandes quantidades e temperatura baixa aumentam o trânsito e aceleram a absorção).  Caso as condições climática seja mais amenas, aumente o intervalo para 30 min.
  • após o evento (e a tradicional comemoração) reponha água e eletrólitos usando, um reidratante caseiro (1 litro de água, 1/3 de colher de café de sal e 3 colheres rasas de sopa de açúcar) ou um reidratante comercial.  A reposição deve  continuar por várias horas após o evento.
Regina Sarmento
Nutricionista

 


Cordas de Escalada 

Quando se fala em escalada, não há como deixar de pensar em corda. Mais do que uma rede de segurança para o guia e o participante, ela representa o companheirismo, a união e a interdependência entre os parceiros de escalada. 

Todo equipamento de montanhismo tem suas limitações e a corda não é uma exceção. Apesar de ser projetada para agüentar a maior força de impacto possível de uma queda, são incrivelmente frágeis e sensíveis à ação de agentes químicos e físicos e ao mau uso, que podem diminuir consideravelmente sua vida útil e até inutilizá-la. A correta utilização, manutenção e conservação da corda pode evitar acidentes e economizar a compra (salgada) de uma nova. 

Neste boletim e nos próximos, traremos artigos técnicos sobre cordas de escalada, e posteriormente sobre outros materiais, para que os leitores conheçam um pouco mais e otimizem a utilização desses apetrechos em que confiam a vida. 

Evolução. 

À vista dos montanhistas atuais, as cordas dos primórdios do montanhismo eram assustadoras. Sendo estáticas, exigiam segurança dinâmica de ombro ou quadril para frear uma queda; por não terem capa protetora, eram muito vulneráveis à abrasão, à ação de sujeira, radiação solar e umidade. Quem não conhece o acidente ocorrido na conquista do Matterhorn que se tornou trágico devido ao rompimento de uma corda? Apesar de todos esses defeitos, foram esses artefatos feitos de fibras naturais como sisal que levaram grandes heróis aos cumes das mais famosas montanhas do mundo. 

O advento do nylon durante a Segunda Guerra Mundial possibilitou a confecção de cordas mais leves, capazes de aguentar mais de 2 toneladas e, o que é ainda mais importante, elásticas. As primeiras cordas de escalada que possibilitaram a utilização de segurança estática eram constituídas de inúmeros e finíssimos filamentos de nylon formando três ou quatro feixes enrolados, o que lhes proporcionava elasticidade. A força de impacto de quedas nessas cordas era mínima, pois a energia cinética dissipava-se dinamicamente com o enlongamento. Apesar de muito mais avançadas do que as cordas de fibras naturais, eram duras de manusear, geravam muito atrito nos pontos de proteção e eram exageradamente elásticas, tornando inconveniente a ascensão pela corda e aumentando perigosamente a distância da queda. 

Para resolver todos esses problemas, criou-se a corda kernmantle. Essa maravilha tem uma alma de filamentos nylon paralelos ou enrolados envolta de uma capa macia de nylon trançado. A maior parte da força da corda é provida pela alma e a capa funciona como uma cobertura protetora, isolando-a e a protegendo dos efeitos nocivos dos agentes externos. A corda kernmantle tem todas as vantagens das cordas de nylon, mas minimiza os problemas como dureza, fricção e excessiva elasticidade. Atualmente são elas as únicas cordas aprovadas pela Union Internationale des Associations d´Alpinisme (UIAA). 

Escolha da corda  
A escolha de uma corda de escalada não é uma tarefa simples. As cordas são projetadas para estilos específicos de escalada e para certos ambientes. De uma forma geral, a corda de 11mm adequa-se a qualquer situação de escalada, mas outros tipos de corda são notavelmente melhores em determinados casos. 
A grosso modo podemos classificar as cordas de escalada da seguinte forma: 

Single ropes - são as cordas projetadas para serem utilizadas em única. São as preferidas dos escaladores devido à facilidade de manuseio e a sua leveza. As single ropes são fabricadas em diâmetros que variam de 9.8 a 11mm, sendo essa espessura diretamente proporcional a durabilidade. Todas as single ropes são identificadas pela marca em suas pontas de um número 1 dentro de um círculo. 

Double ropes ou half ropes - são cordas de escalada que devem ser usadas aos pares, apesar de não ser necessário clipar ambas em todas as costuras. Ao contrário, o ideal é que se alterne as cordas clipadas, pois dessa forma o atrito das cordas nas costuras é consideravelmente reduzido, principalmente em vias com muitos lances horizontais. As half ropes são encontradas em diâmetros de 8 a 9mm. Elas são ideais para escaladas alpinas, escaladas em gelo e outras atividades de montanhismo em que é necessário carregar duas cordas para rapel, não sendo razoável carregar duas pesadas single ropes. Também são muito utilizadas em vias com pedras afiadas em que há grande risco de cortar a corda. Todas as half ropes têm o símbolo 1/2 dentro de um círculo marcado em suas pontas. 

Twin ropes - são cordas de 7 a 9mm também utilizadas em par, o que lhes dá maior proveito no rapel e na segurança em vias com pedras cortantes. Mas, ao contrário das half ropes, ambas devem ser clipadas em todas as proteções, não havendo redução do atrito. Sua única vantagem sobre as half ropes é a leveza, o que as torna adequadas a longas vias de montanha em que não existem muitas proteções e em que o peso é fator essencial. As twin ropes podem ser identificadas por um dois dentro de um círculo marcado em suas pontas. Cuidado para não confundi-la com a half rope!  

Outras características: 

Impermeabilização - as capas e almas das dry ropes são sumetidas a tratamento imperabilizante à base de silicone ou teflon, que impede a absorção de água pela corda e aumenta a resistência da capa à abrasão. A película que se forma ao redor da corda faz com que deslize melhor nos mosquetões e sobre a pedra, diminuindo o atrito. Essa característica é essencial nas escaladas em neve e gelo, pois evita o congelamento da corda. 

Duas cores - em algumas cordas a cor da capa muda no meio da corda, tornando mais fácil a equalização das pontas no rapel e facilitando a identificação das pontas nas escaladas com half ropes. 

Comprimento - o padrão é 50 metros. A maior parte das vias foi conquistada para escalada com cordas de 50 metros, de forma que cordas mais curtas podem não permitir que o guia chegue à parada estabelecida e cordas mais compridas são peso à toa. Há quem goste de cordas de 55 ou 60 metros para ganhar mais alguns metros na hora do rapel, para poderem cortar as pontas gastas por quedas e para lidarem melhor com o encurtamento da corda com o tempo. As twin e half ropes, como são utilizadas em dupla, têm comprimento geralmente de 100 metros. 

Pontas especiais - algumas cordas têm as pontas mais macias que o restante para facilitar o encordamento e para absorver melhor o impacto em quedas curtas. Outras, geralmente utilizadas em ginásios de escalada indoor, têm a construção inversa, com as pontas mais duras e o meio normal, para evitar o iô-iô do escalador quando utilizadas para suportá-lo. Há ainda cordas com alguns metros próximos às pontas são mais resistentes, pois nesse trecho o mosquetão da última costura exerce o atrito, aumentando, assim, a durabilidade. 

Padrões de testagem: 

A UIAA testa equipamentos de escalada, entre eles as cordas, para determinar qual equipamento se adequa aos seu padrões. Como no montanhismo a falha do equipamento pode ser fatal, só se deve adquirir equipo homologado por esse órgão. 
Abaixo estão descritos os testes a que são submetidas as cordas de escalada para obterem a homologação da UIAA: 

Força de Impacto - é a força máxima que uma corda exerce sobre o escalador para frear a queda. Quanto maior a força de impacto, maior será o choque sobre o escalador e todo sistema de segurança (baudrier, costuras, grampos, freio, assegurador, ancoragem...). Uma força de impacto baixa, portanto, aumenta a segurança em caso de queda. A UIAA determina que a força de impacto máxima de uma corda seja de 1200 daN, mas as cordas mais avançadas chegam a 680 daN. 
Essa é a característica mais importante da corda de escalada que deve ser levada em conta na hora da compra. 

Número de quedas - como próprio nome já indica, é o número máximo de quedas fator 2 que uma corda suporta antes de se romper. O teste com single e twin ropes é realizado em três metros de corda que devem suportar quedas (5 para single e 12 para twin) de 6 metros de um peso de 80 kg. 

Há muitos mitos no montanhismo, um deles é a superestimação do número de quedas como fator de qualidade das cordas de escalada. Algumas pessoas consideram apenas o número de quedas da corda na hora da compra, como se esse fosse a característica mais relevante. Nos testes, contudo, as quedas são tão violentas que é praticamente impossível reproduzi-las durante uma escalada, pois o atrito da corda nos mosquetões, o contato do escalador em queda com a rocha, o movimento do segurança, a deformação dos mosquetões, o aperto dos nós contribuem conjuntamente para reduzir sensivelmente a força do impacto da queda. Um número máximo de quedas alto não significa necessariamente que uma corda é mais resitente e durável que a outra, apenas que suportou mais quedas no teste e que é mais cara. Outro detalhe que poucas pessoas conhecem é que o número de quedas máximo é determinado pelo fabricante - a UIAA, ao testar a corda apenas verifica se ela suporta a quantidade padrão de quedas, sem verificar o número máximo. 

Elongamento - para que uma elasticidade exagerada não se torne um incômodo ou aumente perigosamente a distância da queda, a UIAA estabelece que o elongamento da corda não pode passar de 8% quando carregada com 80kg. 

Flexibilidade do nó - quando submetido ao peso do escalador e a forças de impacto de quedas, o nó da corda tende a se apertar, tornando-se difícil de soltar em alguns casos. Por isso recomenda-se que após uma queda, o escalador desfaça e reate o nó de encordamento para diminuir a tensão da corda nesse ponto. Para atenuar esse problema, o diâmetro interno um nó na corda submetido a uma carga de 80kg tem um valor mínimo estabelecido pela UIAA. 

Deslizamento de capa - um dos sinais de envelhecimento da corda é o deslizamento da capa sobre a alma, que pode ser notado esfregando-a entre os dedos. Esse deslizamento é perigoso porque concentra a tensão sobre a capa ao invés da alma, o que pode acarretar no rompimento da primeira. Todas as cordas homologadas pela UIAA são submetidas a um teste em que 2 metros do produto passam cinco vezes por um equipamento especial. O deslizamento resultante não pode ser superior a 40mm, mas nas melhores cordas ele nem chega a ocorrer. 
Imagens copiadas do site da Beal: www.bealropes.com 

Frederico Noritomi

 


Esclarecendo o que é um bivaque

Muitas vezes eu falo que, em minhas excursões com pernoite, não levo barraca. Vem sempre a pergunta: e como você dorme? No saco de dormir, com isolante térmico forrando o chão ou em rede e, para me proteger da chuva, levo um nylon medindo 2,5x2,5m com o qual improviso um teto. Muitos acham que com este teto já não é mais bivaque.

A palavra é portuguesa. Você encontra a definição em qualquer dicionário - não é um termo como tantos outros que usamos erradamente e até transformamos em verbo. Um exemplo é o Jumar, que, pelo que sei, é o nome de uma pessoa que idealizou o aparelho (ascensor) e acabou virando verbo jumarear. Temos outros exemplos: rappel (verbo e novo esporte), prusik (verbo, nó, cordelete).

Selecionei uma lista das definições da palavra bivaque e definitivamente a BARRACA está fora.

"Parada forçada em que se passa a noite ao relento ou, no máximo, protegido por abrigos naturais, sem os benefícios de um acampamento montado" - Viciado no Perigo - Jim Wickwi.

"O bivaque ocorre quando não podemos levar uma barraca, ou quando não há condições de armá-la. Deve, no entanto, ser muito bem planejado, já que em condições climáticas adversas poderá se constituir numa longa e tenebrosa noite" - Manual do Excursionista - Cristiano Requião.

"Dormir ao relento usando saco de dormir somente - A Aventura de Caminhar - Sergio Beck.

"Pernoite ao relento, sem o uso de barraca" - Sobre Homens e Montanhas - John Krakauer.

Acampamento temporário ao ar livre" - Dicionário e Enciclopédia Koocan Larousse.

Bivaque s.m. (Do al. Ant. Biwacht, pelo fr. Bivouac) Área ou modalidade de acampamento temporário de tropas ao ar livre, sem tenda ou abrigo - Dicionário Larousse Cultural.

Bivaque s.m. Acampamento ao ar livre. Bivacar v. intr. Estabelecer-se em bivaque - Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa - O Globo.
Então, não se esqueça - no próximo bivaque, esqueça sua barraca em casa!

Mário Senna.

 


Força de Travamento de Freios

Qual a força de travamento de um freio? Essa pergunta não trata de mera curiosidade de escaladores nerds, tendo um grande impacto sobre a segurança de uma escalada. A utilização de um freio inadequado em uma determinada situação pode ocasionar o arrancamento de proteções móveis, queimaduras nas mãos do assegurador e até queda de base do primeiro de cordada.

Os freios de asseguramento trabalham com atrito estático e dinâmico. A força de atrito estático máxima é a maior tensão a que a corda pode ser submetida antes de começar a deslizar no dispositivo. Até que esse valor seja atingido, a energia da queda é absorvida principalmente pela elasticidade da corda, pelo apertamento do nó de encordamento, pela deformação do corpo do escalador e pelo deslocamento do assegurador, além de ser dissipada pelo atrito do escalador contra a rocha e pelo o atrito da corda nas costuras. Vencido o atrito estático máximo, a corda começa a deslizar no freio e há uma queda brusca na intensidade da força de atrito. Entra em ação o atrito dinâmico, força menor do que a força de atrito estático máxima e que tende a se manter constante, caso não sejam alteradas outras variáveis, até que a corda pare de correr. Com o atrito dinâmico, o freio entra na equação de conservação de energia, atuando também como dissipador da energia da queda.

Portanto, as forças de travamento estática e dinâmica de um freio influenciam diretamente sobre dois fatores importantíssimos no asseguramento: a força de impacto máxima de uma queda sobre o sistema de proteção e o deslizamento de corda no freio.

Freios com grande poder de travamento estático facilitam o trabalho do assegurador, exigindo dele menor esforço para segurar uma quedas. A desvantagem é que esses freios geram uma força maior sobre o sistema de segurança, podendo chegar a mais de 800 daN sobre a última proteção em situações extremas.

A tabela abaixo, extraída do excelente livro "Cómo escalar vías de varios largos", escrito por Ignácio Lujan e Tino Núñez, publicado pela editora Desnível, dá uma idéia da resistência de proteções fixas, devendo-se ter em mente que esses valores podem variar muito para mais ou para menos em função do tipo de rocha, do envelhecimento do material, do tipo de aço etc:

Proteção

Resistência

Piton em fissura vertical

300-700 daN

Piton em fissura horizontal

700-2000 daN

Micropiton

100-300 daN

Spit M-8 (em rocha dura)

1.200 daN

Spit M-8 (em rocha fraca)

300 daN

Spit M-10 (em rocha dura)

1.500 daN

Spit M-10 (em rocha fraca)

500 daN

Grampo colado

2.500 daN

Parafusos e grampos de expansão

300-500 daN

Rivets

200-300 daN

Cunhas de madeira

20-200 daN

Túnel de rocha em granito (5 cm diâmetro)

3.000 daN

Túnel de rocha em granito arenoso (5 cm diâmetro)

200-500 daN

Túnel de rocha em calcário (5 cm diâmetro)

1.500 daN

Túnel de rocha em arenito (5 cm diâmetro)

500 daN


Obs. 1: quanto aos nossos grampos tipo "P", testes recentes indicam que eles têm resistência em torno de 1.000 daN.

Obs. 2: a resistência de proteções móveis é mais difícil de quantificar, pois geralmente são cotadas a resistência máxima da peça e não da colocação. Um friend grande que resista a 12 kN, por exemplo, pode ser sacado de pedras macias como arenito por uma força de 7 kN.

A partir dos dados da tabela, vê-se que o impacto de uma queda severa com um freio estático pode arrancar até mesmo uma proteção fixa considerada sólida. Além de arrancar proteções menos resistentes, forças de impacto muito elevadas maltratam a corda e dão um tranco maior sobre o escalador.

Já os freios menos poderosos limitam bastante a intensidade das forças sobre o sistema, poupando a corda, o escalador e as proteções. Por outro lado, como a corda começa a deslizar com forças menores, em quedas mais longas é possível que a corda queime as mãos do assegurador, havendo o risco de perda de controle da segurança do escalador.

O comprimento de corda que desliza pelo freio depende da quantidade de energia não absorvida pela corda que é dissipada dinamicamente no freio. Quedas longas criam forças de impacto em valores próximos aos de quedas curtas de igual fator, mas as primeiras envolvem uma quantidade maior de energia e resultam num deslizamento maior de corda no freio caso seja vencido a força de atrito estático. Enquanto o deslizamento não passa de alguns centímetros em uma queda de 1,5 m, pode chegar a mais de um metro em uma queda de 10 metros de mesmo fator.

Freios mais estáticos são, portanto, indicados para uso em vias com proteções fixas sólidas e para a segurança de pessoas mais pesadas. Freios mais dinâmicos devem ser utilizados em vias com proteções menos resistentes, como vias com proteção móvel, escaladas em neve e gelo.

Feitos estes esclarecimentos, surge uma nova pergunta: como saber qual é o poder de travamento de um freio de segurança ou rapel? A resposta a essa questão será dada no próximo boletim.

Frederico Noritomi
Diretor Técnico do CEG

 


Força de Travamento de Freios - Parte Final

No boletim do CEG de julho deste ano eu falei um pouco sobre a importância de se conhecer a força de travamento do freio utilizado para asseguramento e rappel em escalada

Entretanto, é muito difícil determinar um valor específico para a força de travamento porque ela depende de três fatores: o freio, a corda e a força da mão do assegurador. Os freios funcionam como multiplicadores da força da mão do assegurador. Alguns freios como o oito e o ATC são dispositivos simples de atrito em que a tensão da corda gerada pela mão do assegurador é multiplicada pelo coeficiente de atrito entre a capa da corda e o freio. Em outros freios, como o Gri-gri, o Logic, o SRC, o ABS, o TRE e o Trango Jaws, entram em ação sistemas mecânicos que esmagam a corda, aumentando ainda mais a força de atrito.

Não se pode afirmar, portanto, que um determinado freio suporta um impacto de 250 daN, pois esse valor só é verdadeiro se uma determinada pessoa o utilizar com determinada corda. Pessoas com pegadas mais fortes conseguem valores maiores, e o desgaste da corda e o aumento de seu diâmetro com o uso fazem crescer o atrito entre ela e o freio. Pessoas fracas utilizando cordas novas de diâmetros menores suportam forças alarmantemente pequenas.

Só para se der uma idéia da dificuldade de estabelecer parâmetros, uma pesquisa realizada por Kirk e Katie Mauthner, do Conselho de Resgate Técnico da Columbia Britânica, constatou que a variação da força da pegada da mão de freio de uma entre as pessoas é grande e não pode ser estimada por características físicas óbvias, como peso, tamanho e massa muscular. Alguns adultos podem exercer força de apenas 5 daN enquanto que outros podem chegar a 45 daN.

Ainda assim, os valores determinados em testes são importantes para comparação da performance dos freios. A UIAA formou um grupo de trabalho para criar uma norma de testagem de freios, mas vem esbarrando com a grande dificuldade de estabelecer a corda padrão. Como já foi dito, testes em cordas não padronizadas podem ter resultados diferentes.

A REI, uma enorme rede de lojas de equipamentos e materiais de outdoor, realizou alguns testes de força de travamento de diversos freios. Os engenheiros da REI utilizaram uma plataforma de quedas padrão UIAA modificada, com dois andares de altura. Eles utilizaram um bloco de aço de 80kg para simular o escalador. A esse bloco prenderam a corda, que passou então por um mosquetão preso ao topo da plataforma, voltando em seguida para o freio abaixo. Logo após o freio, duas placas acionadas por mola simulavam a mão de travamento, exercendo uma força considerada a média dos escaladores - um pouco mais de 11 kg.

Foram feitos várias séries de testes com diversos freios com os fatores de queda 1 e 0,375. Os resultados, publicados no livro Rock & Ice Gear, escrito por Clyde Soles, da editora The Mountaineers Books, mostram que, enquanto que com a maior parte dos freios a força de impacto ficou em torno de 4,5 kN, o Gri-gri ficou em 9,8 kN em média.

Nesse mesmo livro foram apresentados os resultados de testes parecidos feitos por alemães com fator de queda 0,375 em que o impacto na última costura em uma segurança com Gri-gri ficou em cerca de 5,3 kN, enquanto que com o nó UIAA ficou em 3,8 kN e com o oito ficou em 3,5 kN.

No livro "Cómo escalar vías de varios largos", publicado pela editora espanhola Desnível, Ignácio Lujan e Tino Núñez apontam as seguintes forças de travamento:

A Associação Alpina Alemã publicou na Revista Desnível n.° 192, de dezembro de 2002, um artigo divulgando os resultados de teste da força de travamento de freios, utilizando um modelo de teste muito parecido com o da REI. Foi testada, contudo, uma variedade maior de modelos de freios, de forças de pegada, havendo inclusive testes com mãos humanas. Os resultados estão abaixo:

Freio Força de travamento
Oito no modo rapel 150 daN
Oito no modo esportivo 100 daN
Placa Sticht 350 daN
Tubos 100 daN
ABS 250 daN

Fator de queda de 0,4 - "Mão simulada" a 25 daN
Dispositivo F. máx na reunião F. máx na costura Deslizamento de corda
Grigri 260 daN 560 daN 8 cm
TRE 250 daN 550 daN 8 cm
nó UIAA 220 daN 490 daN 30 cm
oito (forma de V) 210 daN 490 daN 22 cm
oito (quadrado) 230 daN 490 daN 27 cm
oito (pequeno) 190 daN 440 daN 40 cm
oito (grande) 190 daN 430 daN 44 cm
cestinha 170 daN 380 daN 51 cm

Fator de queda de 0,4 - Teste com mãos humanas
Dispositivo F. máx na reunião F. máx na costura Deslizamento de corda
nó UIAA pessoa 1 220 daN 490 daN 36 cm
nó UIAA pessoa 2 210 daN 490 daN 38 cm
oito (grande) pessoa 1 200 daN 420 daN 42 cm
oito (grande) pessoa 2 170 daN 430 daN 64 cm
cestinha pessoa 1 170 daN 410 daN 66 cm
cestinha pessoa 2 150 daN 380 daN 101 cm

Fator de queda de 0,4 - Teste com diferentes forças de "mão simulada"
Força da mão de 10 daN
Dispositivo F. máx na reunião F. máx na costura Deslizamento de corda
Grigri 270 daN 590 daN 9 cm
nó UIAA 170 daN 380 daN 71 cm
oito (grande) 150 daN 300 daN 160 cm
cestinha 160 daN 270 daN 182 cm

Força da mão de 25 daN
Dispositivo F. máx na reunião F. máx na costura Deslizamento de corda
Grigri 260 daN 560 daN 8 cm
nó UIAA 220 daN 490 daN 30 cm
oito (grande) 190 daN 430 daN 44 cm
cestinha 170 daN 380 daN 51 cm

Força da mão de 40 daN
Dispositivo F. máx na reunião F. máx na costura Deslizamento de corda
Grigri 250 daN 550 daN 9 cm
nó UIAA 240 daN 560 daN 13 cm
oito (grande) 220 daN 490 daN 13 cm
cestinha 220 daN 500 daN 22 cm

 

Nas tabelas acima, pode-se verificar que a força da mão, a força de travamento do freio e o deslizamento estão interrelacionadas da seguinte forma: quanto maior a força da mão, maior a força de travamento; quanto maior a força de travamento, menor o deslizamento da corda.

Também é interessante notar que a cestinha teve uma força de travamento um pouco menor do que a do oito. Ambos atuam de forma suave, poupando o sistema de segurança de escalada de forças de impacto elevada. Mas não devem ser utilizados por pessoas com pegada fraca nas mãos, tampouco para dar segurança a pessoas muito pesadas.

O nó UIAA e o oito em forma de V mostraram ter uma força de travamento razoavelmente maior do que a do oito comum e da cestinha, o que resulta em menor deslizamento de corda. A força de impacto pode chegar a valores muito grandes no caso de pessoas com muita força na mão de freio, mas, com certo treinamento, pode-se suavizar o asseguramento.

Tanto o Grigri quanto o TRE, alardeado freio automático dinâmico, tiveram resultados semelhantes. Eles geram uma força de impacto muito elevada sobre o sistema e não deixam correr quase corda alguma. São desaconselháveis para asseguramento de guia em escaladas tradicionais, devendo ser preferidos em vias esportivas com proteções bem sólidas. Ao contrário dos demais freios, a força de travamento e o deslizamento de corda praticamente independem da força da mão, não havendo como suavizar a força de impacto pela liberação de mais corda.

É importante ressaltar que esses testes foram realizados com a segurança presa em um ponto fixo, como se o freio estivesse preso diretamente na ancoragem. Não foi testado o asseguramento como freio preso ao baudrier, o que pode resultar em força sensivelmente menor no caso de quedas curtas.

Como podemos ver, os freios possuem forças de travamento bem distintas. Não há freio que sirva para tudo e para todos, tampouco há uma fórmula matemática para se determinar qual freio utilizar. Cada escalador deve se valer de bom senso para escolher o freio mais adequado à cada situação, levando em conta fatores como a força de travamento do freio, a força de sua mão, o diâmetro e o estado de sua corda, a qualidade das proteções, a inclinação da parede (quedas em lances menos íngremes geram forças de impacto menores), o peso dos escaladores... Isso se pensarmos apenas na questão da força de impacto e do deslizamento de corda, pois há outras características dos freios a se considerar, como a possibilidade de uso em rapel, a possibilidade de uso com corda dupla, a facilidade de manuseio, o peso, o preço...

Frederico Noritomi

 


Fatores de Queda

Nem todas as quedas de 12 metros são criadas iguais. A severidade de qualquer queda depende de quanta corda está disponível para absorver a energia. O "fator de queda" é a distância da queda dividida pelo comprimento de corda entre o escalador e o assegurador. Apesar de ser um conceito simples, ele acaba gerando confusão para muitos escaladores.

Estando 30 metros acima do assegurador e 6 metros acima da última proteção quando se desgarra da parede (e assim caindo 12 metros), você irá sofrer uma queda fator 0,4 - adrenante, mas não tão grave. Entretanto, se você cair de apenas 9 metros acima do assegurador, estando 6 metros acima da última proteção, isso se torna uma queda de fator 1,3 que irá colocar uma carga enorme em todo o sistema.

O teste de queda da UIAA/CEN simula uma queda extrema em escalada - uma queda dura em um pequeno pedaço de corda com uma ancoragem estática. Em uma situação de escalada real, alguns fatores que ajudam a mitigar a força incluem fricção no sistema, deslizamento no freio de asseguramento e o deslocamento do assegurador para cima.

A fricção no sistema trabalha em favor do assegurador e, em um certo grau, da proteção também. A força na costura mais alta é igual às duas forças para baixo combinadas. Então, em uma queda razoavelmente dura, se o escalador sente 5 kN, o assegurador deve suportar 3,3 kN, enquanto que a última proteção e a costura têm que agüentar 8,3 kN. Se não houvesse fricção, a última proteção teria que suportar 10 kN.

Mas há um porém. O atrito nos mosquetões e contra a rocha tem o efeito de reduzir o comprimento efetivo de corda que absorve o impacto. O resultado é que o fator de queda real diminui mais lentamente que o fator de queda teórico. Por exemplo, se você escalou 30 metros e cai 6 metros, o fator de queda sem atrito seria 0,2, enquanto que o fator de queda real deverá ser 0,6 ou maior. Dessa forma, se você sentir um arrasto grande da corda, sua proteção mais alta deverá ser submetida durante uma queda a forças maiores do que você poderia supor.
Um peso de 80 kg é utilizado para determinar as forças no teste de queda da UIAA/CEN em cordas simples. Ele foi escolhido como o peso do escalador médio. Mas e quanto às demais pessoas?

Mantendo as demais condições, para um fator de queda 0,5 em 20 metros de corda, uma escalador de 60 kg sentirá 3,4 kN, um escalador de 80 kg sentirá 4 kN e um escalador de 100 kg sentirá 4,5 kN. No mesmo comprimento de corda, se um escalador toma uma vôo de fator de queda 1,5, o escalador de 60 kg sentirá 5,4 kN, o de 80 kg sentirá 6,2 kN e o garotão sentirá uma porrada de 7 kN.

Texto extraído do livro "Rock & Ice Gear", de Clyde Soles, Editora Mountaineers.
Tradução livre de Frederico Noritomi

 


Sumário da Conferência Sobre Náilon e Cordas, Turim, 8 e 9 de março, 2002

Muitos trabalhos científicos foram apresentados, inclusive modelamento matemático de técnicas de asseguramento e modelos analíticos para a análise de cordas têxteis. A absorção de água em polímeros é muito melhor entendida agora do que há mais de 30 anos, quando testes verificaram que uma corda olhada perde muito de sua performance dinâmica. Atualmente é sabido que a água causa plasticização do nylon, mudando drasticamente suas propriedades mecânicas e físicas.

1 - Fatos materiais sobre polímeros (náilon) de interesse de usuários de cordas:

  • polímeros consistem de macromoléculas, nas quais partes de cristal, perfeitamente ordenadas em estruturas de cadeia, alternam-se com partes amorfas, estruturas desordenadas com cadeias embaraçadas;
  • a adição de água reduz o Tg do material e tem o mesmo efeito que o aquecimento do material;
  • assim, as propriedades mecânicas e físicas do náilon mudam com a temperatura e a umidade, entre outros fatores;
  • a testagem de uma corda molhada é similar à de uma corda seca à temperatura de 70-80ºC.

2 - Fatos sobre a construção de cordas:

  • a capacidade de absorção de energia é devida principalmente à alma (múltiplos feixes enrolados);
  • para melhorar a performance dinâmica, deve-se aumentar a alma e diminuir a capa,
  • a resistência à abrasão é mais ou menos proporcional à quantidade de capa;
  • uma capa mais grossa resiste melhor à abrasão do que uma capa mais fina, considerando-se que sejam iguais em todos os demais elementos;
  • capa apertada vs. capa folgada. Uma capa apertada produz uma corda que é mais rígida, possui mais resistência à abrasão e ao corte, enrosca-se mais, tem uma elasticidade maior, é menos flexível e tem menos resistência no nó do que uma com uma capa folgada.

3 - Por que as cordas ficaram mais finas e agüentam mais quedas:

  • a cinqüenta anos atrás, uma corda de 11 mm mal agüentava duas quedas. Hoje em dia nós conseguimos uma corda de 9.5 mm que agüenta oito quedas,
  • fibras: melhoramento da matéria-prima, dos métodos de produção e do controle de qualidade;
  • feixes: métodos melhores de torcimento dos fios e dos processos de compactação e pintura;
  • seleção e configuração apropriadas de máquinas de entrançamento e de contagem de fios;
  • melhor conhecimento do balanceamento da contrução capa/alma;
    anos de experimentação, pesquisa e experiência.

4 - Influência da luz solar na performance dinâmica das cordas de montanhismo de quedas múltiplas:

  • algumas cores na capa desbotam, enquanto outras não;
  • há uma correlação entre o desbotamento dos filamentos e as propriedades mecânicas: quanto maior a perda de cor, maior a degradação das propriedades mecânicas. Isso parece afetar mais as cores mais brilhantes e "estilizadas";
  • as propriedades mecânicas da alma degradam de uma forma consideravelmente mais uniforme e muito menos do que a capa;
  • uma redução relativamente pequena das propriedades mecânicas dos filamentos (aproximadamente 10% de redução em tensão de ruptura e de elasticidade) corresponde a uma notável redução no número de quedas suportados (até 50%). As cordas ficaram expostas por três meses em uma elevação de 2550 m nos Dolomitas;
  • como esperado, a degradação a uma elevação menor (1834 m) foi consideravelmente menor (até 25% de redução no número de quedas suportados);
  • o valor da força de impacto não é afetado.

5 - Quando aposentar uma corda, um estudo do desgaste das cordas:

  • não é nenhuma novidade que os principais fatores de desgaste de corda são os efeitos combinados do atrito contra a rocha, redução mecânica (equipamentos de asseguramento e rappel), sujeira e microcristais que penetram a capa, e o número de metros escalados (não o tempo de uso);
  • o inimigo da corda é a fricção - mais intensa no rappel e no top rope, piorado ainda mais pela sujeira e pelo atrito inevitável contra a rocha;
    alguns equipamentos de rappel produzem mais desgaste na corda do que outros;
  • depois de apenas 50 descidas com um freio oito, a resistência dinâmica de uma corda (número de quedas) é reduzida em um terço. As descidas foram realizadas com cuidado extremo - lentamente e sem impacto;
  • rappel com um Robot (um equipamento multi-uso produzido pela Kong) não parece comprometer a resistência dinâmica da corda. O equipamento funciona como um freio de mosquetões cruzados;
  • sem nenhuma surpresa, o desgaste da corda é muito maior no granito do que no calcário;
  • a degradação da corda é aproximadamente proporcional à quantidade de fibras partidas na capa;
  • trabalhos atuais confirmam informações previamente publicadas. Depois de escalar aproximadamente 5000 metros, a resistência dinâmica da corda é reduzida à metade e após 6000 metros adicionais, cai para 30% (UIAA Bulletin # 146, Junho de 1994, Alemanha);
  • veja também The Journal of the UIAA #3, 2000, pp. 12 - 13, disponível na internet no site http://journal.uiaa.ch/edition.asp?id=114.

6 - Perda de Segurança em Cordas de Montanhismo por Ciclos de Descida em Escalada Top Rope.

Este trabalho detalha a surpreendente perda de capacidade nas cordas dinâmicas de montanhismo devido a escaladas top rope. A tradução não é de boa qualidade. Uma versão melhor editada pode ser encontrada em www.alpineclubofcanada.ca/services/safety/index.html.

7 - Tratamento Dry

Abundam afirmações sobre os benefícios de tratamento "dry" de cordas (durabilidade da impermeabilidade, melhoramento do manuseamento, resistência à abrasão, durabilidade etc). Primeiro, não há procedimentos padronizados. Os fabricantes podem fazer tanto mais ou tanto menos acharem melhor. Além disso, não há testes específicos para cordas de escalada que meçam durabilidade, a resistência à abrasão ou a impermeabilidade. Assim, nenhuma comparação válida pode ser feita.

Contudo, não há dúvida de que são conhecidos tratamentos e processos de acabamento que reduzem a absorção de água. A durabilidade desse tratamento é supostamente boa em relação ao tempo de vida da corda, mas também é verdade que o tratamento "dry" se deteriora com o uso da corda.

Um estudo com cordas com tratamento "dry" de treze fabricantes diferentes, utilizando uma variedade de métodos de testagem, mostra que pouquíssimas cordas realmente repelem água bem. Todo resto está agrupado com taxas de absorção bem maiores. Alguém pode dizer que muitas delas não retêm água, mas as cordas retêm sim.

8 - Novas orientações:

  • encontrar formas de manter a resistência em ambientes molhados ou de grande umidade;
  • melhorar a resistência a bordas cortantes (uma corda moderna só falha se cortada por uma quina afiada);
  • desenvolver novas fibras (de poliamida). Isso somente ocorrerá em decorrência de outras demandas. Os fabricantes de cordas usam apenas uma quantidade minúscula do total de náilon produzido no mundo.
Os procedimentos completos desta conferência podem ser obtidos (em disquete) de: Prof. Luigi Costa @
Dipartimento di Chimica IFM @Via Giuria 7
10125 Torino @Italy @Fax ++ 39 011 6707855
Texto traduzido por Frederico Yasuo Noritomi de documento disponível no site www.uiaa.ch


 


Friends mais Amigos 

Os friends, ou SLCDs (Spring Loaded Camming Devices), revolucionaram a história do montanhismo com a possibilidade de proteção com equipamento móvel em lugares antes considerados impossíveis, como fendas paralelas. Essas maravilhosas engenhocas autoexpansoras deram origem à chamada "escalada limpa" - a conquista e repetição de vias com a menor alteração possível da rocha. Isso significa menos marreta e mais cuca. Passaram-se décadas e os SLCDs diversificaram-se em inúmeros aspectos - há modelos feitos de metal mais duro, mais macio, de um eixo, de dois eixos, de corpo rígido, de corpo flexível, de um cabo, de dois cabos... Contudo, classificação mais importante sempre recaiu sobre a quantidade de cunhas de que eles dispõem para atritar com a rocha. Até os últimos anos, o universo dos SLCDs esteve dividido entre os 4cam (SLCDs de 4 cunhas) e os 3cam (SLCDs com 3 cunhas). 

Os primeiros têm uma maior área de contato com a rocha que lhes proporciona mais firmeza, mais estabilidade e menos propensão para deslizar para dentro da fenda. Porém são equipamentos mais largos e não servem para a proteção de fendas rasas. Os 3cam, ao contrário, encaixam melhor em fendas mais rasas, mas são menos estáveis e têm a péssima tendência de mudar de posição com o movimento da corda, obrigando a utilização de longas fitas. No ano passado o mundo dos SLCDs mudou com a chegada ao mercado do EUA de equipamentos com a revolucionária tecnologia 2cam (figura 1), que proporciona ao escalador mais opções para proteção sem o sacrifício de segurança ou resistência. Os 2cam possuem perfil mais estreito do que qualquer outro SLCD graças ao design de cunhas diretamente opostas (figura 2). Ao contrário dos equipamentos tradicionais, que não são confiáveis com apenas duas cunhas inseridas em uma fenda, os 2cam conseguem manter estabilidade em fendas rasas e até mesmo em marcas de pitons. Essa nova tecnologia é produto do projeto de estudantes da CU-Boulder. Seth Murray, estudante de engenharia mecânica, teve a idéia do 2cam durante seus anos de experiência em escalada em rocha. 

A ele se juntaram os estudantes Greg Wolos, Tucker Southern e Shane Stamm, e, sob a supervisão do Professor Larry Carlson, desenvolveram o primeiro protótipo do 2cam. Baseados nos resultados da testagem do produto, desenvolveram a seguir mais três protótipos. A tecnologia 2cam também está sendo empregada em 4cam, garantindo-lhes grande estabilidade, maior versatilidade e segurança. Esses SLCDs já estão sendo comercializados por empresas como a Splitter Gear. 

Frederico Yasuo Noritomi 

 


Freio Oito

Apesar de eu raramente utilizar freios oito, eles têm seus fãs e algumas vantagens peculiares. De forma geral, esses aparelhos proporcionam o rappel mais suave de todas as opções padrão (sem contar com o magnone, é claro!). Graças à sua grande massa, os freios oito são menos suscetíveis ao superaquecimento do que outros aparelhos de rappel. 

Muitas pessoas acusam o freio oito de encocar suas cordas durante o rappel, o que, na verdade, é causado por erro de procedimento. Se a mão de freio estiver posicionada para o lado, com a corda correndo por fora das pernas, a corda estará toda enrolada quando você chegar ao chão. Manter a mão de freio diretamente abaixo do oito com a corda entre as pernas reduz consideravelmente o encocamento da corda. Rappel com corda entre as pernas também é mais seguro porque as duas mãos podem ser utilizadas para frenagem se necessário (a fricção diminui à medida em que o fim do rappel se aproxima) e isso torna mais fácil recuperar a corda caso você perca o controle do rappel. 

Uma boa característica dos freios oito é que você dicficilmente os deixará cair acidentalmente se seguir um procedimento muito simples. Quando estiver escalando, mantenha o anel maior do oito clipado ao mosquetão de rosca que você utiliza para o prender ao anel de rappel/asseguramento do baudrier. Para montar o rappel, passe uma alça da corda dentro do anel maior do oito e por fora do menor. Agora você pode desclipar o mosquetão e reclipá-lo no anel menor do oito sem o risco de perder o aparelho. Ao final do rappel, é só reverter o procedimento. 
Tenha muito cuidado para que seu freio oito não saia de posição no mosquetão. Em certas combinações, o freio oito pode fazer uma alavanca contra a rosca do mosquetão, quebrando o gatilho - isso já ocorreu em muitas ocasiões e pelo menos uma pessoa está morta como conseqüência! Cuidado com pausas em platôs no meio do rappel, pois, ao tirar a carga do oito ele pode sair de posição, criando um perigo potencial quando a descida é reiniciada. 

Apesar de ser mais visto como um equipamento de rappel, o oito também serve como um aparelho de asseguramento para cordas em única. Utilizar o anel menor no modo plaqueta gera em torno de 2,0 kN de força de frenagem (essa força varia em função da pegada do assegurador, do tamanho do anel, da corda, do mosquetão utilizado). Montado no modo rappel, o freio oito tem um travamento menor do que outros aparelhos, em torno de 1,2 kN. O chamado “modo esportivo”, no qual a alça da corda é clipada no mosquetão ao invés de correr ao redor do pescoço do oito, tem apenas em torno de 0,8 kN de força de frenagem e já foi a causa de muitos acidentes. 

A utilização de freio oito no modo rappel e no modo esportivo para segurança de guia faz mais sentido para escaladas alpinas, em que uma força de impacto suave é essencial para manter as ancoragens de neve no lugar, diminuindo a severidade de uma queda longa. 

O Trango Belay 8 é um aparelho peculiar que funciona bem para escaladas esportivas porque libera corda com incrível rapidez. O buraco em forma de “v” aumenta a força do travamento de forma que um escalador pequeno pode segurar uma pessoa grande com facilidade. 

Clyde Soles
Rock  & Ice - Gear Equipment for the Vertical World
The Mountaineers Books, Seattle, 2000.
Tradução livre de Frederico Noritomi

 


Nó UIAA

O UIAA é um método de segurança muito eficiente que se utiliza apenas da corda e um mosquetão para criar a fricção necessária para frear uma queda. O mosquetão deve ser de base larga com rosca para permitir que o nó passe facilmente por seu interior. O UIAA amplifica a força da mão com o atrito da corda com a corda e da corda com o mosquetão. Ele é provavelmente um dos métodos mais fortes, perdendo apenas para o Grigri, SRC e Trango 8. Pode ser usado tanto no baudrier, como um freio comum para segurança do guia, quanto preso à ancoragem, para segurança do participante. 

O UIAA é o único método de segurança tradicional que proporciona atrito suficiente qualquer que seja o ângulo entre a corda que entra e a que sai. Daí advém sua maior vantagem: não requer nenhuma posição especial de travamento. Basta que o assegurador segure a corda para travá-a, não sendo necessário puxá-la para trás, como nos outros métodos. 

O atrito do UIAA tem a peculiaridade de ser menor quando as cordas formam um ângulo de 180º do que quando estão lado a lado, a 0º. Isso significa que sua força máxima é relativamente menor para queda de guia do que para queda de participantes. Mas em termos absolutos o UIAA proporciona mais atrito do que o oito, a plaqueta e a cestinha. Esse atrito maior significa uma frenagem mais rápida em uma queda extrema. 

O UIAA tem alguns defeitos. Ele torce a corda mais do que qualquer outro método, deixando-a bem encocada após alguns esticões, principalmente se a mesma pessoa guiar o tempo todo. Para desenrolar a corda, pendure-a esticada e sacuda-a bastante. Outro problema é que o calor gerado pelo atrito dinâmico de uma queda longa pode queimar a capa, deixando-a com aspecto vitrificado, conseqüência que tem repercussões apenas cosméticas. 

O UIAA também pode ser utilizado para rappel, mas tem a enorme desvantagem de torcer demasiadamente a corda (uma volta a cada 1,5m). 

Frederico Yasuo Noritomi
Diretor Técnico do CEG

 


Distúrbios causados pelo calor

A prática de algumas atividades físicas (montanhismo, por exemplo) exige de seus participantes grande esforço físico, algumas vezes em condições climáticas bastante desfavoráveis.

Quando esses eventos ocorrem durante o verão, que em nosso país é marcado pela ocorrência de altas temperaturas, é grande o risco de distúrbios térmicos, nesse caso, hipertermia. Contudo, a hipertermia induzida pelo exercício, a desidratação e outros eventos relacionados com o calor podem ser evitados através de medidas adotadas antes e durante o exercício.

Algumas condições que podem predispor a distúrbios relacionados com calor são: obesidade, baixo grau de aptidão física, desidratação, má aclimatação ao calor, história prévia de colapso induzido pelo calor, privação de sono, uso de medicamentos como diuréticos e antidepressivos, disfunção das glândulas sudorípadas, estar queimado pelo sol e consumo de álcool. As crianças pré-púberes merecem especial atenção pois suam menos e possuem menor tolerância ao calor.

De uma forma geral, treinamento, aptidão física adequada e consumo de líquidos são a forma correta de evitarmos a ocorrência desses eventos. Os sintomas precoces são descoordenação, cefaléia, náuseas, tonteiras, apatia, confusão e outros distúrbios de consciência. Na presença desses sintomas, deve-se imediatamente proceder ao resfriamento do corpo, seja por imersão em água fria, compressas molhadas, abanamento ou compressas geladas no pescoço, axilas e região inguinal.

Convém ressaltar que a hipertermia não ocorre apenas em função da temperatura atmosférica, pois enquanto praticamos alguma atividade física mais intensa, a temperatura corporar aumenta e o organismo se defende transpirando. É através do suor que eliminamos parte desse calor. Só que junto ao suor, o corpo perde água e outras substâncias essenciais para o seu metabolismo.

Por aí, vemos com é importante manter a hidratação do corpo ingerindo líquidos antes, durante e depois do exercício.

Fonte de consulta: Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Luiz José F. Leal

 


Relatório conclui: Rapel é o grande vilão das montanhas

O rapel é responsável por 70% dos acidentes ocorridos entre os praticantes de esportes nas montanhas brasileiras, a grande maioria devido às falhas nos equipamentos utilizados pelos rapeleiros. Esta pelo menos foi a conclusão a que chegou o Relatório de Acidentes em Esportes de Montanha, com os dados pesquisados por um grupo de guias do Rio de Janeiro.

Um dos aspectos curiosos nesta conclusão é o fato de que a maioria dos montanhistas não considera o rapel um esporte em si, mas apenas uma técnica de descida para viabilizar a prática de outros esportes, como escalada e travessia de cânions. Outra constatação do Relatório, segundo o guia Pedro Lacaz Amaral, da Parede Esportes de Montanha, coordenador do levantamento, foi que a grande maioria dos acidentes se deve ao despreparo dos praticantes, na maioria jovens que após um pequeno período de treinamento saem praticando sozinho esportes de risco.

Mesmo sem quantificar nenhum caso de morte, a pesquisa descobriu que 90% dos acidentes provocaram fraturas. Um dos objetivos do Relatório é contribuir para a diminuição do número dos acidentes nas montanhas do país.

(texto tirado do site 360º Esportes & Aventuras)

 


Os melhores escaladores do século XX

A revista americana Climbing publicou em sua edição de março uma seleção do que ela considera as melhores escaladas e os melhores escaladores do século XX. A escolha foi dividida em oito categorias: alpinismo, bouldering, big wall, escalada esportiva, escalada clássica, himalaismo, escalada em rocha e escalada em gelo.
Alpinismo

Para Climbing, a maior façanha do alpinismo em todos os tempos foi a conquista da face norte do Eiger, uma parede vertical com 2.000 metros de calcário quebradiço e gelo negro, nos Alpes, realizada pelos austríacos Heinrich Harrier e Fritz Kasparek e os alemães Anderl Heckmair e Ludwig Vorg.

A princípio escalando separados, para ver quem chegava primeiro ao cume, as duas duplas resolveram juntar-se quando já estavam na metade da parede. A decisão mostrou-se correta, pois, apesar das avalanches, tempestades, caídas perigosas e um grampom ter cravada na mão de Vorg, eles chegaram ao cume.

Até hoje, 44 pessoas já morreram tentando repetir o feito. Uns conseguiram, outros não. O cadáver de um montanhista italiano ficou 3 anos pendurado em sua corda, inalcançável mais visível para os que o olhavam de baixo, balançando ao vento.

Bouldering

O americano John Gill, considerado o criador d