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Textos Técnicos
Aqui você encontra uma série de
dicas sobremontanhismo. Para selecionar um tópico, clique
em cima do título.
Escale
Esperto:
- Sempre verifique duplamente nós e fivelas
do Baudrier, de todos da cordada.
- Inspecione seu material sempre após o
uso, e troque quando necessário.
- Conheça seus parceiros de escalada e seus
hábitos.
- Dê atenção a avisos (escritos
ou não). Eles podem salvar sua vida.
- Preste sempre atenção ao clima.
- O rapel é a parte mais perigosa
da escalada. Verifique sempre o sistema duplamente e dê
um nó ao final da corda.
- Use capacete. Pode salvar sua vida.
- Rocha quebra, teste as agarras.
Cuide de seus mosquetões:
Se você já passou pela desagradável
experiência de ter um mosquetão com a rosca emperrada
no meio de uma escalada, você sabe do que estamos falando.
Infelizmente a corrosão e a entrada de detritos na rosca
são inevitáveis. E o que se pode fazer é remediar.
Limpe seus mosquetões regularmente com
pano úmido, e passe óleo de máquina (Singer),
quando a rosca estiver emperrando ou o gatilho não estiver
abrindo e fechando normalmente.
Lembre de tirar o excesso do óleo, pois seu
contato com fitas e cordas pode ser prejudicial à saúde
delas. E à sua também. Além do que, uma
mão cheia de óleo em uma escalada não deve
ser agradável.
Cuidado com as botas
de couro
Botas são feitas de couro porque ele é
confortável, resistente, naturalmente à prova d'água
e respirável.
Quanto menos água for absorvida pelo couro,
mais ele dura e por mais tempo você terá sua bota confortável.
Uma vez molhado, o couro esgarça e enfraquece,
podendo rachar conforme seca.
O couro precisa então repelir a água
para manter suas propriedades e ter uma performance ótima
por vários anos.
Para qualquer produto de couro que deva ser á
prova d'água, recomenda-se o uso de graxa especial com propriedaddes
à prova d'água. O mesmo serve para botas "Nobuk",
que precisam de uma graxa especial.
Para as botas de Gore-Tex a recomendação
é a mesma, já que os produtos não afetam as
propriedades do tecido
RECOMENDAÇÕES GERAIS
- Cuide do couro da sua bota.
- Use um selante para condições extremas.
- Limpe sua bota sempre após o uso e aplique
a graxa e o selante quando necessário.
- Preste atenção nas costuras e nos
ilhoses.
- Deixe-a secar ao ar livre. Não use uma
fonte de calor, como secador de cabelo, fundo de geladeira, etc.
- Só faça reparos com alguém
que realmente entenda de botas de caminhada.
Rappel
e Segurança
Como todos nós sabemos, o rappel é
o procedimento mais perigoso durante uma escalada, seja por estarmos
presos à corda apenas por um equipamento de freio (oito,
cestinha...) ou pelo relaxamento causado pela sensação
de término da escalada que a chegada ao cume promove. Tanto
que pelo menos metade dos acidentes em montanha ocorrem durante
o rappel.
No entanto, esse risco pode ser diminuído
tornando o rappel muito mais seguro. Para tanto, basta utilizar
um nó prussik um pouco acima do aparelho de freio preso ao
baudrier, ou abaixo, preso por um mosquetão ao baudrier na
perna. Para descer, bastará controlar o rappel com uma mão
e liberar o prussik com a outra. Qualquer problema o blocante fará
o seu trabalho.
O nó prussik pode ser substituído por
um blocante mecânico, mas deve ser um blocante específico
para este fim (ex.: Shunt da Petzl), não sendo recomendada
a utilização de outros ascensores.
Lembramos ainda que o magnone é um equipamento
condenado por forçar o mosquetão na sua parte mais
frágil e que o gri-gri não é recomendado para
o rappel por ser um péssimo dissipador de calor, além
de só permitir a descida em corda única.
Outra boa alternativa é a utilização
de freios específicos para rappel, como o rack ou o stop,
embora o primeiro também não dispense a utilização
de um prussik e o segundo, apesar de autoblocante só permite
o rappel em corda única.
Galera, é isso aí! Boas escaladas e não esqueçam
do nó na ponta da corda durante o rappel.
Beto.
Tabela
Comparativa de Graduação de Vias de Escalada
|
Brasil
|
Estados Unidos
|
França
|
|
5º
|
5,9
|
5+
|
|
5º sup
|
5.10A
|
6A
|
|
6º
|
5.10B
|
-
|
|
6º sup
|
5.10C
|
6B
|
|
7A
|
5.11A
|
6C
|
|
-
|
5.11B
|
6C+
|
|
7B
|
5.11C
|
-
|
|
7C
|
5.11D
|
7A
|
|
8A
|
5.12A
|
7A+
|
|
8B
|
5.12B
|
7B
|
|
8C
|
5.12C
|
7B+
|
|
9A
|
5.12D
|
7C
|
|
9B
|
5.13A
|
7C+
|
|
9C
|
5.13B
|
8A
|
|
10A
|
5.13C
|
8A+
|
Hidratação
e Atividade Física
Para um atleta ou esportista, muito treino é
sinônimo de bom desempenho físico, certo? Errado.
É claro que o treinamento é muito importante, mas
se não houver uma boa hidratação o desempenho
poderá ser prejudicado.
Isto não parece ser uma grande preocupação
dos montanhistas, que geralmente, transportam o mínimo de
água possível, devido ao peso extra, e só bebem
quando a sede é muito grande, para economizar o suprimento.
E agora, com o fim do verão, essa preocupação
diminui na mesma proporção do calor.
Vamos ver, então, qual a relação
da hidratação e o desempenho físico.
A água transporta nutrientes e produtos de degradação
para dentro e fora das células através da corrente
sangüínea, e um volume sangüíneo adequado
é essencial para que o corpo possa dissipar calor através
da pele e do suor durante o exercício. Quanto mais
elevada a temperatura, mais importante é a sudorese para
a dissipação do calor do corpo.
Grande parte da água corpórea perdida
pelo suor e respiração vem do sangue. Quando
as perdas de líquido atingem níveis significativos,
a sudorese e o fluxo sangüíneo para a pele ficam reduzidos
e a temperatura central fica elevada. Mesmo uma desidratação
parcial compromete o desempenho: uma perda de 4 a 5% de água
reduz a capacidade de trabalho em 20 a 30%. Se a perda chega
a 10%, leva ao colapso circulatório.
A quantidade de perda de líquido depende da
duração e intensidade do esforço, e da temperatura
e umidade atmosféricas. Sem exercício, um indivíduo
produz cerca de 600 mL/dia de suor, enquanto que um exercício
prolongado em ambiente úmido pode gerar de 8 ou 12 L/dia.
A sede nem sempre é um indicador confiável
da necessidade de líquido, principalmente em calor extremo
ou suor excessivo. Em condições normais, um
adulto deve ingerir 35mL/kg de peso corpóreo, porém,
durante a atividade física as perdas devem ser monitoradas
pelo peso do corpo e cor da urina. A perda de 1g de peso indica
a reposição de 1mL de líquido e a urina amarelo-escuro
pode indicar desidratação.
Então, durante uma caminhada ou escalada,
procure tomar alguns cuidados e observe seu rendimento daqui para
frente:
- usar roupas leves
- mantenha o ritmo respiratório e fale o
mínimo possível
- 2 hs antes do evento, beba 500 mL (2 copos de
requeijão) de água
- 15 min. antes de uma atividade prolongada, beba
250 mL de água gelada (não se preocupe com paradas
adicionais na montanha, pois durante o exercício o rim
produzirá menos urina para compensar as perdas)
- durante a atividade, em condições
extremas de temperatura, beba 250 mL de água gelada a cada
20 min (grandes quantidades e temperatura baixa aumentam
o trânsito e aceleram a absorção). Caso
as condições climática seja mais amenas,
aumente o intervalo para 30 min.
- após o evento (e a tradicional comemoração)
reponha água e eletrólitos usando, um reidratante
caseiro (1 litro de água, 1/3 de colher de café
de sal e 3 colheres rasas de sopa de açúcar) ou
um reidratante comercial. A reposição deve
continuar por várias horas após o evento.
Regina Sarmento
Nutricionista
Cordas
de Escalada
Quando se fala em escalada, não há
como deixar de pensar em corda. Mais do que uma rede de segurança
para o guia e o participante, ela representa o companheirismo, a
união e a interdependência entre os parceiros de escalada.
Todo equipamento de montanhismo tem suas limitações
e a corda não é uma exceção. Apesar
de ser projetada para agüentar a maior força de impacto
possível de uma queda, são incrivelmente frágeis
e sensíveis à ação de agentes químicos
e físicos e ao mau uso, que podem diminuir consideravelmente
sua vida útil e até inutilizá-la. A correta
utilização, manutenção e conservação
da corda pode evitar acidentes e economizar a compra (salgada) de
uma nova.
Neste boletim e nos próximos, traremos artigos
técnicos sobre cordas de escalada, e posteriormente sobre
outros materiais, para que os leitores conheçam um pouco
mais e otimizem a utilização desses apetrechos em
que confiam a vida.
Evolução.
À vista dos montanhistas atuais, as cordas
dos primórdios do montanhismo eram assustadoras. Sendo estáticas,
exigiam segurança dinâmica de ombro ou quadril para
frear uma queda; por não terem capa protetora, eram muito
vulneráveis à abrasão, à ação
de sujeira, radiação solar e umidade. Quem não
conhece o acidente ocorrido na conquista do Matterhorn que se tornou
trágico devido ao rompimento de uma corda? Apesar de todos
esses defeitos, foram esses artefatos feitos de fibras naturais
como sisal que levaram grandes heróis aos cumes das mais
famosas montanhas do mundo.
O advento do nylon durante a Segunda Guerra Mundial
possibilitou a confecção de cordas mais leves, capazes
de aguentar mais de 2 toneladas e, o que é ainda mais importante,
elásticas. As primeiras cordas de escalada que possibilitaram
a utilização de segurança estática eram
constituídas de inúmeros e finíssimos filamentos
de nylon formando três ou quatro feixes enrolados, o que lhes
proporcionava elasticidade. A força de impacto de quedas
nessas cordas era mínima, pois a energia cinética
dissipava-se dinamicamente com o enlongamento. Apesar de muito mais
avançadas do que as cordas de fibras naturais, eram duras
de manusear, geravam muito atrito nos pontos de proteção
e eram exageradamente elásticas, tornando inconveniente a
ascensão pela corda e aumentando perigosamente a distância
da queda.
Para resolver todos esses problemas, criou-se a
corda kernmantle. Essa maravilha tem uma alma de filamentos nylon
paralelos ou enrolados envolta de uma capa macia de nylon trançado.
A maior parte da força da corda é provida pela alma
e a capa funciona como uma cobertura protetora, isolando-a e a protegendo
dos efeitos nocivos dos agentes externos. A corda kernmantle tem
todas as vantagens das cordas de nylon, mas minimiza os problemas
como dureza, fricção e excessiva elasticidade. Atualmente
são elas as únicas cordas aprovadas pela Union Internationale
des Associations d´Alpinisme (UIAA).
Escolha da corda
A escolha de uma corda de escalada não é uma tarefa
simples. As cordas são projetadas para estilos específicos
de escalada e para certos ambientes. De uma forma geral, a corda
de 11mm adequa-se a qualquer situação de escalada,
mas outros tipos de corda são notavelmente melhores em determinados
casos.
A grosso modo podemos classificar as cordas de escalada da seguinte
forma:
Single ropes
- são as cordas projetadas para serem utilizadas em única.
São as preferidas dos escaladores devido à facilidade
de manuseio e a sua leveza. As single ropes são fabricadas
em diâmetros que variam de 9.8 a 11mm, sendo essa espessura
diretamente proporcional a durabilidade. Todas as single ropes são
identificadas pela marca em suas pontas de um número 1 dentro
de um círculo.
Double ropes ou half ropes
- são cordas de escalada que devem ser usadas aos pares,
apesar de não ser necessário clipar ambas em todas
as costuras. Ao contrário, o ideal é que se alterne
as cordas clipadas, pois dessa forma o atrito das cordas nas costuras
é consideravelmente reduzido, principalmente em vias com
muitos lances horizontais. As half ropes são encontradas
em diâmetros de 8 a 9mm. Elas são ideais para escaladas
alpinas, escaladas em gelo e outras atividades de montanhismo em
que é necessário carregar duas cordas para rapel,
não sendo razoável carregar duas pesadas single ropes.
Também são muito utilizadas em vias com pedras afiadas
em que há grande risco de cortar a corda. Todas as half ropes
têm o símbolo 1/2 dentro de um círculo marcado
em suas pontas.
Twin ropes
- são cordas de 7 a 9mm também utilizadas em par,
o que lhes dá maior proveito no rapel e na segurança
em vias com pedras cortantes. Mas, ao contrário das half
ropes, ambas devem ser clipadas em todas as proteções,
não havendo redução do atrito. Sua única
vantagem sobre as half ropes é a leveza, o que as torna adequadas
a longas vias de montanha em que não existem muitas proteções
e em que o peso é fator essencial. As twin ropes podem ser
identificadas por um dois dentro de um círculo marcado em
suas pontas. Cuidado para não confundi-la com a half rope!
Outras características:
Impermeabilização - as capas
e almas das dry ropes são sumetidas a tratamento imperabilizante
à base de silicone ou teflon, que impede a absorção
de água pela corda e aumenta a resistência da capa
à abrasão. A película que se forma ao redor
da corda faz com que deslize melhor nos mosquetões e sobre
a pedra, diminuindo o atrito. Essa característica é
essencial nas escaladas em neve e gelo, pois evita o congelamento
da corda.
Duas cores - em algumas cordas a cor da capa
muda no meio da corda, tornando mais fácil a equalização
das pontas no rapel e facilitando a identificação
das pontas nas escaladas com half ropes.
Comprimento - o padrão é 50
metros. A maior parte das vias foi conquistada para escalada com
cordas de 50 metros, de forma que cordas mais curtas podem não
permitir que o guia chegue à parada estabelecida e cordas
mais compridas são peso à toa. Há quem goste
de cordas de 55 ou 60 metros para ganhar mais alguns metros na hora
do rapel, para poderem cortar as pontas gastas por quedas e para
lidarem melhor com o encurtamento da corda com o tempo. As twin
e half ropes, como são utilizadas em dupla, têm comprimento
geralmente de 100 metros.
Pontas especiais - algumas cordas têm
as pontas mais macias que o restante para facilitar o encordamento
e para absorver melhor o impacto em quedas curtas. Outras, geralmente
utilizadas em ginásios de escalada indoor, têm a construção
inversa, com as pontas mais duras e o meio normal, para evitar o
iô-iô do escalador quando utilizadas para suportá-lo.
Há ainda cordas com alguns metros próximos às
pontas são mais resistentes, pois nesse trecho o mosquetão
da última costura exerce o atrito, aumentando, assim, a durabilidade.
Padrões de testagem:
A UIAA testa equipamentos de escalada, entre
eles as cordas, para determinar qual equipamento se adequa aos seu
padrões. Como no montanhismo a falha do equipamento pode
ser fatal, só se deve adquirir equipo homologado por esse
órgão.
Abaixo estão descritos os testes a que são submetidas
as cordas de escalada para obterem a homologação da
UIAA:
Força de Impacto - é a força
máxima que uma corda exerce sobre o escalador para frear
a queda. Quanto maior a força de impacto, maior será
o choque sobre o escalador e todo sistema de segurança (baudrier,
costuras, grampos, freio, assegurador, ancoragem...). Uma força
de impacto baixa, portanto, aumenta a segurança em caso de
queda. A UIAA determina que a força de impacto máxima
de uma corda seja de 1200 daN, mas as cordas mais avançadas
chegam a 680 daN.
Essa é a característica mais importante da corda de
escalada que deve ser levada em conta na hora da compra.
Número de quedas - como próprio
nome já indica, é o número máximo de
quedas fator 2 que uma corda suporta antes de se romper. O teste
com single e twin ropes é realizado em três metros
de corda que devem suportar quedas (5 para single e 12 para twin)
de 6 metros de um peso de 80 kg.
Há muitos mitos no montanhismo, um deles é
a superestimação do número de quedas como fator
de qualidade das cordas de escalada. Algumas pessoas consideram
apenas o número de quedas da corda na hora da compra, como
se esse fosse a característica mais relevante. Nos testes,
contudo, as quedas são tão violentas que é
praticamente impossível reproduzi-las durante uma escalada,
pois o atrito da corda nos mosquetões, o contato do escalador
em queda com a rocha, o movimento do segurança, a deformação
dos mosquetões, o aperto dos nós contribuem conjuntamente
para reduzir sensivelmente a força do impacto da queda. Um
número máximo de quedas alto não significa
necessariamente que uma corda é mais resitente e durável
que a outra, apenas que suportou mais quedas no teste e que é
mais cara. Outro detalhe que poucas pessoas conhecem é que
o número de quedas máximo é determinado pelo
fabricante - a UIAA, ao testar a corda apenas verifica se ela suporta
a quantidade padrão de quedas, sem verificar o número
máximo.
Elongamento - para que uma elasticidade
exagerada não se torne um incômodo ou aumente perigosamente
a distância da queda, a UIAA estabelece que o elongamento
da corda não pode passar de 8% quando carregada com 80kg.
Flexibilidade do nó - quando submetido
ao peso do escalador e a forças de impacto de quedas, o nó
da corda tende a se apertar, tornando-se difícil de soltar
em alguns casos. Por isso recomenda-se que após uma queda,
o escalador desfaça e reate o nó de encordamento para
diminuir a tensão da corda nesse ponto. Para atenuar esse
problema, o diâmetro interno um nó na corda submetido
a uma carga de 80kg tem um valor mínimo estabelecido pela
UIAA.
Deslizamento de capa - um dos sinais de envelhecimento
da corda é o deslizamento da capa sobre a alma, que pode
ser notado esfregando-a entre os dedos. Esse deslizamento é
perigoso porque concentra a tensão sobre a capa ao invés
da alma, o que pode acarretar no rompimento da primeira. Todas as
cordas homologadas pela UIAA são submetidas a um teste em
que 2 metros do produto passam cinco vezes por um equipamento especial.
O deslizamento resultante não pode ser superior a 40mm, mas
nas melhores cordas ele nem chega a ocorrer.
Imagens copiadas do site da Beal: www.bealropes.com
Frederico Noritomi
Esclarecendo
o que é um bivaque
Muitas vezes eu falo que, em minhas
excursões com pernoite, não levo barraca. Vem sempre
a pergunta: e como você dorme? No saco de dormir, com isolante
térmico forrando o chão ou em rede e, para me proteger
da chuva, levo um nylon medindo 2,5x2,5m com o qual improviso
um teto. Muitos acham que com este teto já não é
mais bivaque.
A palavra é portuguesa. Você
encontra a definição em qualquer dicionário
- não é um termo como tantos outros que usamos erradamente
e até transformamos em verbo. Um exemplo é o Jumar,
que, pelo que sei, é o nome de uma pessoa que idealizou
o aparelho (ascensor) e acabou virando verbo jumarear. Temos outros
exemplos: rappel (verbo e novo esporte), prusik (verbo, nó,
cordelete).
Selecionei uma lista das definições
da palavra bivaque e definitivamente a BARRACA está fora.
"Parada forçada em que
se passa a noite ao relento ou, no máximo, protegido por
abrigos naturais, sem os benefícios de um acampamento montado"
- Viciado no Perigo - Jim Wickwi.
"O bivaque ocorre quando não
podemos levar uma barraca, ou quando não há condições
de armá-la. Deve, no entanto, ser muito bem planejado,
já que em condições climáticas adversas
poderá se constituir numa longa e tenebrosa noite"
- Manual do Excursionista - Cristiano Requião.
"Dormir ao relento usando saco
de dormir somente - A Aventura de Caminhar - Sergio Beck.
"Pernoite ao relento, sem o uso
de barraca" - Sobre Homens e Montanhas - John Krakauer.
Acampamento temporário ao ar
livre" - Dicionário e Enciclopédia Koocan Larousse.
Bivaque s.m. (Do al. Ant. Biwacht,
pelo fr. Bivouac) Área ou modalidade de acampamento temporário
de tropas ao ar livre, sem tenda ou abrigo - Dicionário
Larousse Cultural.
Bivaque s.m. Acampamento ao ar livre.
Bivacar v. intr. Estabelecer-se em bivaque - Dicionário
Brasileiro da Língua Portuguesa - O Globo.
Então, não se esqueça - no próximo
bivaque, esqueça sua barraca em casa!
Mário Senna.
Força
de Travamento de Freios
Qual a força de travamento
de um freio? Essa pergunta não trata de mera curiosidade
de escaladores nerds, tendo um grande impacto sobre a segurança
de uma escalada. A utilização de um freio inadequado
em uma determinada situação pode ocasionar o arrancamento
de proteções móveis, queimaduras nas mãos
do assegurador e até queda de base do primeiro de cordada.
Os freios de asseguramento trabalham
com atrito estático e dinâmico. A força de
atrito estático máxima é a maior tensão
a que a corda pode ser submetida antes de começar a deslizar
no dispositivo. Até que esse valor seja atingido, a energia
da queda é absorvida principalmente pela elasticidade da
corda, pelo apertamento do nó de encordamento, pela deformação
do corpo do escalador e pelo deslocamento do assegurador, além
de ser dissipada pelo atrito do escalador contra a rocha e pelo
o atrito da corda nas costuras. Vencido o atrito estático
máximo, a corda começa a deslizar no freio e há
uma queda brusca na intensidade da força de atrito. Entra
em ação o atrito dinâmico, força menor
do que a força de atrito estático máxima
e que tende a se manter constante, caso não sejam alteradas
outras variáveis, até que a corda pare de correr.
Com o atrito dinâmico, o freio entra na equação
de conservação de energia, atuando também
como dissipador da energia da queda.
Portanto, as forças de travamento
estática e dinâmica de um freio influenciam diretamente
sobre dois fatores importantíssimos no asseguramento: a
força de impacto máxima de uma queda sobre o sistema
de proteção e o deslizamento de corda no freio.
Freios com grande poder de travamento
estático facilitam o trabalho do assegurador, exigindo
dele menor esforço para segurar uma quedas. A desvantagem
é que esses freios geram uma força maior sobre o
sistema de segurança, podendo chegar a mais de 800 daN
sobre a última proteção em situações
extremas.
A tabela abaixo, extraída do
excelente livro "Cómo escalar vías de varios
largos", escrito por Ignácio Lujan e Tino Núñez,
publicado pela editora Desnível, dá uma idéia
da resistência de proteções fixas, devendo-se
ter em mente que esses valores podem variar muito para mais ou
para menos em função do tipo de rocha, do envelhecimento
do material, do tipo de aço etc:
|
Proteção
|
Resistência
|
|
Piton em fissura vertical
|
300-700 daN
|
|
Piton em fissura horizontal
|
700-2000 daN
|
|
Micropiton
|
100-300 daN
|
|
Spit M-8 (em rocha dura)
|
1.200 daN
|
|
Spit M-8 (em rocha fraca)
|
300 daN
|
|
Spit M-10 (em rocha dura)
|
1.500 daN
|
|
Spit M-10 (em rocha fraca)
|
500 daN
|
|
Grampo colado
|
2.500 daN
|
|
Parafusos e grampos de expansão
|
300-500 daN
|
|
Rivets
|
200-300 daN
|
|
Cunhas de madeira
|
20-200 daN
|
|
Túnel de rocha em granito (5 cm diâmetro)
|
3.000 daN
|
|
Túnel de rocha em granito arenoso (5 cm
diâmetro)
|
200-500 daN
|
|
Túnel de rocha em calcário (5 cm diâmetro)
|
1.500 daN
|
|
Túnel de rocha em arenito (5 cm diâmetro)
|
500 daN
|
Obs. 1: quanto aos nossos grampos tipo "P", testes recentes
indicam que eles têm resistência em torno de 1.000
daN.
Obs. 2: a resistência de proteções
móveis é mais difícil de quantificar, pois
geralmente são cotadas a resistência máxima
da peça e não da colocação. Um friend
grande que resista a 12 kN, por exemplo, pode ser sacado de pedras
macias como arenito por uma força de 7 kN.
A partir dos dados da tabela, vê-se
que o impacto de uma queda severa com um freio estático
pode arrancar até mesmo uma proteção fixa
considerada sólida. Além de arrancar proteções
menos resistentes, forças de impacto muito elevadas maltratam
a corda e dão um tranco maior sobre o escalador.
Já os freios menos poderosos
limitam bastante a intensidade das forças sobre o sistema,
poupando a corda, o escalador e as proteções. Por
outro lado, como a corda começa a deslizar com forças
menores, em quedas mais longas é possível que a
corda queime as mãos do assegurador, havendo o risco de
perda de controle da segurança do escalador.
O comprimento de corda que desliza
pelo freio depende da quantidade de energia não absorvida
pela corda que é dissipada dinamicamente no freio. Quedas
longas criam forças de impacto em valores próximos
aos de quedas curtas de igual fator, mas as primeiras envolvem
uma quantidade maior de energia e resultam num deslizamento maior
de corda no freio caso seja vencido a força de atrito estático.
Enquanto o deslizamento não passa de alguns centímetros
em uma queda de 1,5 m, pode chegar a mais de um metro em uma queda
de 10 metros de mesmo fator.
Freios mais estáticos são,
portanto, indicados para uso em vias com proteções
fixas sólidas e para a segurança de pessoas mais
pesadas. Freios mais dinâmicos devem ser utilizados em vias
com proteções menos resistentes, como vias com proteção
móvel, escaladas em neve e gelo.
Feitos estes esclarecimentos, surge
uma nova pergunta: como saber qual é o poder de travamento
de um freio de segurança ou rapel? A resposta a essa questão
será dada no próximo boletim.
Frederico Noritomi
Diretor Técnico do CEG
Força
de Travamento de Freios - Parte Final
No boletim do CEG de julho
deste ano eu falei um pouco sobre a importância de se conhecer
a força de travamento do freio utilizado para asseguramento e
rappel em escalada
Entretanto, é muito difícil
determinar um valor específico para a força de travamento porque
ela depende de três fatores: o freio, a corda e a força da mão
do assegurador. Os freios funcionam como multiplicadores da força
da mão do assegurador. Alguns freios como o oito e o ATC são dispositivos
simples de atrito em que a tensão da corda gerada pela mão do
assegurador é multiplicada pelo coeficiente de atrito entre a
capa da corda e o freio. Em outros freios, como o Gri-gri, o Logic,
o SRC, o ABS, o TRE e o Trango Jaws, entram em ação sistemas mecânicos
que esmagam a corda, aumentando ainda mais a força de atrito.
Não se pode afirmar, portanto,
que um determinado freio suporta um impacto de 250 daN, pois esse
valor só é verdadeiro se uma determinada pessoa o utilizar com
determinada corda. Pessoas com pegadas mais fortes conseguem valores
maiores, e o desgaste da corda e o aumento de seu diâmetro com
o uso fazem crescer o atrito entre ela e o freio. Pessoas fracas
utilizando cordas novas de diâmetros menores suportam forças alarmantemente
pequenas.
Só para se der uma idéia da
dificuldade de estabelecer parâmetros, uma pesquisa realizada
por Kirk e Katie Mauthner, do Conselho de Resgate Técnico da Columbia
Britânica, constatou que a variação da força da pegada da mão
de freio de uma entre as pessoas é grande e não pode ser estimada
por características físicas óbvias, como peso, tamanho e massa
muscular. Alguns adultos podem exercer força de apenas 5 daN enquanto
que outros podem chegar a 45 daN.
Ainda assim, os valores determinados
em testes são importantes para comparação da performance dos freios.
A UIAA formou um grupo de trabalho para criar uma norma de testagem
de freios, mas vem esbarrando com a grande dificuldade de estabelecer
a corda padrão. Como já foi dito, testes em cordas não padronizadas
podem ter resultados diferentes.
A REI, uma enorme rede de lojas
de equipamentos e materiais de outdoor, realizou alguns testes
de força de travamento de diversos freios. Os engenheiros da REI
utilizaram uma plataforma de quedas padrão UIAA modificada, com
dois andares de altura. Eles utilizaram um bloco de aço de 80kg
para simular o escalador. A esse bloco prenderam a corda, que
passou então por um mosquetão preso ao topo da plataforma, voltando
em seguida para o freio abaixo. Logo após o freio, duas placas
acionadas por mola simulavam a mão de travamento, exercendo uma
força considerada a média dos escaladores - um pouco mais de 11
kg.
Foram feitos várias séries
de testes com diversos freios com os fatores de queda 1 e 0,375.
Os resultados, publicados no livro Rock & Ice Gear, escrito por
Clyde Soles, da editora The Mountaineers Books, mostram que, enquanto
que com a maior parte dos freios a força de impacto ficou em torno
de 4,5 kN, o Gri-gri ficou em 9,8 kN em média.
Nesse mesmo livro foram apresentados
os resultados de testes parecidos feitos por alemães com fator
de queda 0,375 em que o impacto na última costura em uma segurança
com Gri-gri ficou em cerca de 5,3 kN, enquanto que com o nó UIAA
ficou em 3,8 kN e com o oito ficou em 3,5 kN.
No livro "Cómo escalar vías
de varios largos", publicado pela editora espanhola Desnível,
Ignácio Lujan e Tino Núñez apontam as seguintes forças de travamento:
A Associação Alpina Alemã publicou
na Revista Desnível n.° 192, de dezembro de 2002, um artigo divulgando
os resultados de teste da força de travamento de freios, utilizando
um modelo de teste muito parecido com o da REI. Foi testada, contudo,
uma variedade maior de modelos de freios, de forças de pegada,
havendo inclusive testes com mãos humanas. Os resultados estão
abaixo:
| Freio |
Força
de travamento |
| Oito no modo rapel |
150 daN |
| Oito no modo esportivo |
100 daN |
| Placa Sticht |
350 daN |
| Tubos |
100 daN |
| ABS |
250 daN |
Fator de queda de 0,4 - "Mão simulada"
a 25 daN
| Dispositivo |
F. máx na reunião |
F. máx na costura |
Deslizamento de corda |
| Grigri |
260 daN |
560 daN |
8 cm |
| TRE |
250 daN |
550 daN |
8 cm |
| nó UIAA |
220 daN |
490 daN |
30 cm |
| oito (forma de V) |
210 daN |
490 daN |
22 cm |
| oito (quadrado) |
230 daN |
490 daN |
27 cm |
| oito (pequeno) |
190 daN |
440 daN |
40 cm |
| oito (grande) |
190 daN |
430 daN |
44 cm |
| cestinha |
170 daN |
380 daN |
51 cm |
Fator de queda de 0,4 - Teste com mãos
humanas
| Dispositivo |
F. máx na reunião |
F. máx na costura |
Deslizamento de corda |
| nó UIAA pessoa 1 |
220 daN |
490 daN |
36 cm |
| nó UIAA pessoa 2 |
210 daN |
490 daN |
38 cm |
| oito (grande) pessoa 1 |
200 daN |
420 daN |
42 cm |
| oito (grande) pessoa 2 |
170 daN |
430 daN |
64 cm |
| cestinha pessoa 1 |
170 daN |
410 daN |
66 cm |
| cestinha pessoa 2 |
150 daN |
380 daN |
101 cm |
Fator de queda de 0,4 - Teste com diferentes
forças de "mão simulada"
| Força da mão de 10 daN |
| Dispositivo |
F. máx na reunião |
F. máx na costura |
Deslizamento de corda |
| Grigri |
270 daN |
590 daN |
9 cm |
| nó UIAA |
170 daN |
380 daN |
71 cm |
| oito (grande) |
150 daN |
300 daN |
160 cm |
| cestinha |
160 daN |
270 daN |
182 cm |
Força da mão de 25 daN
| Dispositivo |
F. máx na reunião |
F. máx na costura |
Deslizamento de corda |
| Grigri |
260 daN |
560 daN |
8 cm |
| nó UIAA |
220 daN |
490 daN |
30 cm |
| oito (grande) |
190 daN |
430 daN |
44 cm |
| cestinha |
170 daN |
380 daN |
51 cm |
Força da mão de 40 daN
| Dispositivo |
F. máx na reunião |
F. máx na costura |
Deslizamento de corda |
| Grigri |
250 daN |
550 daN |
9 cm |
| nó UIAA |
240 daN |
560 daN |
13 cm |
| oito (grande) |
220 daN |
490 daN |
13 cm |
| cestinha |
220 daN |
500 daN |
22 cm |
Nas tabelas acima, pode-se verificar
que a força da mão, a força de travamento do freio e o deslizamento
estão interrelacionadas da seguinte forma: quanto maior a força
da mão, maior a força de travamento; quanto maior a força de travamento,
menor o deslizamento da corda.
Também é interessante notar
que a cestinha teve uma força de travamento um pouco menor do
que a do oito. Ambos atuam de forma suave, poupando o sistema
de segurança de escalada de forças de impacto elevada. Mas não
devem ser utilizados por pessoas com pegada fraca nas mãos, tampouco
para dar segurança a pessoas muito pesadas.
O nó UIAA e o oito em forma
de V mostraram ter uma força de travamento razoavelmente maior
do que a do oito comum e da cestinha, o que resulta em menor deslizamento
de corda. A força de impacto pode chegar a valores muito grandes
no caso de pessoas com muita força na mão de freio, mas, com certo
treinamento, pode-se suavizar o asseguramento.
Tanto o Grigri quanto o TRE,
alardeado freio automático dinâmico, tiveram resultados semelhantes.
Eles geram uma força de impacto muito elevada sobre o sistema
e não deixam correr quase corda alguma. São desaconselháveis para
asseguramento de guia em escaladas tradicionais, devendo ser preferidos
em vias esportivas com proteções bem sólidas. Ao contrário dos
demais freios, a força de travamento e o deslizamento de corda
praticamente independem da força da mão, não havendo como suavizar
a força de impacto pela liberação de mais corda.
É importante ressaltar que
esses testes foram realizados com a segurança presa em um ponto
fixo, como se o freio estivesse preso diretamente na ancoragem.
Não foi testado o asseguramento como freio preso ao baudrier,
o que pode resultar em força sensivelmente menor no caso de quedas
curtas.
Como podemos ver, os freios
possuem forças de travamento bem distintas. Não há freio que sirva
para tudo e para todos, tampouco há uma fórmula matemática para
se determinar qual freio utilizar. Cada escalador deve se valer
de bom senso para escolher o freio mais adequado à cada situação,
levando em conta fatores como a força de travamento do freio,
a força de sua mão, o diâmetro e o estado de sua corda, a qualidade
das proteções, a inclinação da parede (quedas em lances menos
íngremes geram forças de impacto menores), o peso dos escaladores...
Isso se pensarmos apenas na questão da força de impacto e do deslizamento
de corda, pois há outras características dos freios a se considerar,
como a possibilidade de uso em rapel, a possibilidade de uso com
corda dupla, a facilidade de manuseio, o peso, o preço...
Frederico Noritomi
Fatores de
Queda
Nem todas as quedas de 12 metros são
criadas iguais. A severidade de qualquer queda depende de quanta
corda está disponível para absorver a energia. O
"fator de queda" é a distância da queda
dividida pelo comprimento de corda entre o escalador e o assegurador.
Apesar de ser um conceito simples, ele acaba gerando confusão
para muitos escaladores.
Estando 30 metros acima do assegurador
e 6 metros acima da última proteção quando
se desgarra da parede (e assim caindo 12 metros), você irá
sofrer uma queda fator 0,4 - adrenante, mas não tão
grave. Entretanto, se você cair de apenas 9 metros acima
do assegurador, estando 6 metros acima da última proteção,
isso se torna uma queda de fator 1,3 que irá colocar uma
carga enorme em todo o sistema.
O teste de queda da UIAA/CEN simula
uma queda extrema em escalada - uma queda dura em um pequeno pedaço
de corda com uma ancoragem estática. Em uma situação
de escalada real, alguns fatores que ajudam a mitigar a força
incluem fricção no sistema, deslizamento no freio
de asseguramento e o deslocamento do assegurador para cima.
A fricção no sistema
trabalha em favor do assegurador e, em um certo grau, da proteção
também. A força na costura mais alta é igual
às duas forças para baixo combinadas. Então,
em uma queda razoavelmente dura, se o escalador sente 5 kN, o
assegurador deve suportar 3,3 kN, enquanto que a última
proteção e a costura têm que agüentar
8,3 kN. Se não houvesse fricção, a última
proteção teria que suportar 10 kN.
Mas há um porém. O atrito
nos mosquetões e contra a rocha tem o efeito de reduzir
o comprimento efetivo de corda que absorve o impacto. O resultado
é que o fator de queda real diminui mais lentamente que
o fator de queda teórico. Por exemplo, se você escalou
30 metros e cai 6 metros, o fator de queda sem atrito seria 0,2,
enquanto que o fator de queda real deverá ser 0,6 ou maior.
Dessa forma, se você sentir um arrasto grande da corda,
sua proteção mais alta deverá ser submetida
durante uma queda a forças maiores do que você poderia
supor.
Um peso de 80 kg é utilizado para determinar as forças
no teste de queda da UIAA/CEN em cordas simples. Ele foi escolhido
como o peso do escalador médio. Mas e quanto às
demais pessoas?
Mantendo as demais condições,
para um fator de queda 0,5 em 20 metros de corda, uma escalador
de 60 kg sentirá 3,4 kN, um escalador de 80 kg sentirá
4 kN e um escalador de 100 kg sentirá 4,5 kN. No mesmo
comprimento de corda, se um escalador toma uma vôo de fator
de queda 1,5, o escalador de 60 kg sentirá 5,4 kN, o de
80 kg sentirá 6,2 kN e o garotão sentirá
uma porrada de 7 kN.
Texto extraído do livro
"Rock & Ice Gear", de Clyde Soles, Editora Mountaineers.
Tradução livre de Frederico Noritomi
Sumário
da Conferência Sobre Náilon e Cordas, Turim, 8 e
9 de março, 2002
Muitos trabalhos científicos
foram apresentados, inclusive modelamento matemático de
técnicas de asseguramento e modelos analíticos para
a análise de cordas têxteis. A absorção
de água em polímeros é muito melhor entendida
agora do que há mais de 30 anos, quando testes verificaram
que uma corda olhada perde muito de sua performance dinâmica.
Atualmente é sabido que a água causa plasticização
do nylon, mudando drasticamente suas propriedades mecânicas
e físicas.
1 - Fatos materiais sobre polímeros
(náilon) de interesse de usuários de cordas:
-
polímeros consistem de
macromoléculas, nas quais partes de cristal, perfeitamente
ordenadas em estruturas de cadeia, alternam-se com partes amorfas,
estruturas desordenadas com cadeias embaraçadas;
-
a adição de água
reduz o Tg do material e tem o mesmo efeito que o aquecimento
do material;
-
assim, as propriedades mecânicas
e físicas do náilon mudam com a temperatura e
a umidade, entre outros fatores;
-
a testagem de uma corda molhada
é similar à de uma corda seca à temperatura
de 70-80ºC.
2 - Fatos sobre a construção
de cordas:
-
a capacidade de absorção
de energia é devida principalmente à alma (múltiplos
feixes enrolados);
-
para melhorar a performance dinâmica,
deve-se aumentar a alma e diminuir a capa,
-
a resistência à abrasão
é mais ou menos proporcional à quantidade de capa;
-
uma capa mais grossa resiste melhor
à abrasão do que uma capa mais fina, considerando-se
que sejam iguais em todos os demais elementos;
-
capa apertada vs. capa folgada.
Uma capa apertada produz uma corda que é mais rígida,
possui mais resistência à abrasão e ao corte,
enrosca-se mais, tem uma elasticidade maior, é menos
flexível e tem menos resistência no nó do
que uma com uma capa folgada.
3 - Por que as cordas ficaram mais finas e agüentam
mais quedas:
-
a cinqüenta anos atrás,
uma corda de 11 mm mal agüentava duas quedas. Hoje em dia
nós conseguimos uma corda de 9.5 mm que agüenta
oito quedas,
-
fibras: melhoramento da matéria-prima,
dos métodos de produção e do controle de
qualidade;
-
feixes: métodos melhores
de torcimento dos fios e dos processos de compactação
e pintura;
-
seleção e configuração
apropriadas de máquinas de entrançamento e de
contagem de fios;
-
melhor conhecimento do balanceamento
da contrução capa/alma;
anos de experimentação, pesquisa e experiência.
4 - Influência da luz solar na performance
dinâmica das cordas de montanhismo de quedas múltiplas:
-
algumas cores na capa desbotam,
enquanto outras não;
-
há uma correlação
entre o desbotamento dos filamentos e as propriedades mecânicas:
quanto maior a perda de cor, maior a degradação
das propriedades mecânicas. Isso parece afetar mais as
cores mais brilhantes e "estilizadas";
-
as propriedades mecânicas
da alma degradam de uma forma consideravelmente mais uniforme
e muito menos do que a capa;
-
uma redução relativamente
pequena das propriedades mecânicas dos filamentos (aproximadamente
10% de redução em tensão de ruptura e de
elasticidade) corresponde a uma notável redução
no número de quedas suportados (até 50%). As cordas
ficaram expostas por três meses em uma elevação
de 2550 m nos Dolomitas;
-
como esperado, a degradação
a uma elevação menor (1834 m) foi consideravelmente
menor (até 25% de redução no número
de quedas suportados);
-
o valor da força de impacto
não é afetado.
5 - Quando aposentar uma corda,
um estudo do desgaste das cordas:
-
não é nenhuma novidade
que os principais fatores de desgaste de corda são os
efeitos combinados do atrito contra a rocha, redução
mecânica (equipamentos de asseguramento e rappel), sujeira
e microcristais que penetram a capa, e o número de metros
escalados (não o tempo de uso);
-
o inimigo da corda é a
fricção - mais intensa no rappel e no top rope,
piorado ainda mais pela sujeira e pelo atrito inevitável
contra a rocha;
alguns equipamentos de rappel produzem mais desgaste na corda
do que outros;
-
depois de apenas 50 descidas com
um freio oito, a resistência dinâmica de uma corda
(número de quedas) é reduzida em um terço.
As descidas foram realizadas com cuidado extremo - lentamente
e sem impacto;
-
rappel com um Robot (um equipamento
multi-uso produzido pela Kong) não parece comprometer
a resistência dinâmica da corda. O equipamento funciona
como um freio de mosquetões cruzados;
-
sem nenhuma surpresa, o desgaste
da corda é muito maior no granito do que no calcário;
-
a degradação da
corda é aproximadamente proporcional à quantidade
de fibras partidas na capa;
-
trabalhos atuais confirmam informações
previamente publicadas. Depois de escalar aproximadamente 5000
metros, a resistência dinâmica da corda é
reduzida à metade e após 6000 metros adicionais,
cai para 30% (UIAA Bulletin # 146, Junho de 1994, Alemanha);
-
veja também The Journal
of the UIAA #3, 2000, pp. 12 - 13, disponível na internet
no site http://journal.uiaa.ch/edition.asp?id=114.
6 - Perda de Segurança em Cordas de Montanhismo
por Ciclos de Descida em Escalada Top Rope.
Este trabalho detalha a surpreendente perda de
capacidade nas cordas dinâmicas de montanhismo devido a
escaladas top rope. A tradução não é
de boa qualidade. Uma versão melhor editada pode ser encontrada
em www.alpineclubofcanada.ca/services/safety/index.html.
7 - Tratamento Dry
Abundam afirmações sobre os benefícios
de tratamento "dry" de cordas (durabilidade da impermeabilidade,
melhoramento do manuseamento, resistência à abrasão,
durabilidade etc). Primeiro, não há procedimentos
padronizados. Os fabricantes podem fazer tanto mais ou tanto menos
acharem melhor. Além disso, não há testes
específicos para cordas de escalada que meçam durabilidade,
a resistência à abrasão ou a impermeabilidade.
Assim, nenhuma comparação válida pode ser
feita.
Contudo, não há dúvida de
que são conhecidos tratamentos e processos de acabamento
que reduzem a absorção de água. A durabilidade
desse tratamento é supostamente boa em relação
ao tempo de vida da corda, mas também é verdade
que o tratamento "dry" se deteriora com o uso da corda.
Um estudo com cordas com tratamento "dry"
de treze fabricantes diferentes, utilizando uma variedade de métodos
de testagem, mostra que pouquíssimas cordas realmente repelem
água bem. Todo resto está agrupado com taxas de
absorção bem maiores. Alguém pode dizer que
muitas delas não retêm água, mas as cordas
retêm sim.
8 - Novas orientações:
-
encontrar formas de manter a resistência
em ambientes molhados ou de grande umidade;
-
melhorar a resistência a
bordas cortantes (uma corda moderna só falha se cortada
por uma quina afiada);
-
desenvolver novas fibras (de poliamida).
Isso somente ocorrerá em decorrência de outras
demandas. Os fabricantes de cordas usam apenas uma quantidade
minúscula do total de náilon produzido no mundo.
Os procedimentos completos
desta conferência podem ser obtidos (em disquete) de: Prof.
Luigi Costa @
Dipartimento di Chimica IFM @Via Giuria 7
10125 Torino @Italy @Fax ++ 39 011 6707855
Texto traduzido por Frederico Yasuo Noritomi de documento disponível
no site www.uiaa.ch
Friends mais Amigos
Os friends, ou SLCDs (Spring Loaded Camming Devices), revolucionaram
a história do montanhismo com a possibilidade de proteção
com equipamento móvel em lugares antes considerados impossíveis,
como fendas paralelas. Essas maravilhosas engenhocas autoexpansoras
deram origem à chamada "escalada limpa" - a conquista e
repetição de vias com a menor alteração
possível da rocha. Isso significa menos marreta e mais
cuca. Passaram-se décadas e os SLCDs diversificaram-se
em inúmeros aspectos - há modelos feitos de metal
mais duro, mais macio, de um eixo, de dois eixos, de corpo rígido,
de corpo flexível, de um cabo, de dois cabos... Contudo,
classificação mais importante sempre recaiu sobre
a quantidade de cunhas de que eles dispõem para atritar
com a rocha. Até os últimos anos, o universo dos
SLCDs esteve dividido entre os 4cam (SLCDs de 4 cunhas) e os 3cam
(SLCDs com 3 cunhas).
Os primeiros têm uma maior área de contato com a
rocha que lhes proporciona mais firmeza, mais estabilidade e menos
propensão para deslizar para dentro da fenda. Porém
são equipamentos mais largos e não servem para a
proteção de fendas rasas. Os 3cam, ao contrário,
encaixam melhor em fendas mais rasas, mas são menos estáveis
e têm a péssima tendência de mudar de posição
com o movimento da corda, obrigando a utilização
de longas fitas. No ano passado o mundo dos SLCDs mudou com a
chegada ao mercado do EUA de equipamentos com a revolucionária
tecnologia 2cam (figura 1), que proporciona ao escalador mais
opções para proteção sem o sacrifício
de segurança ou resistência. Os 2cam possuem perfil
mais estreito do que qualquer outro SLCD graças ao design
de cunhas diretamente opostas (figura 2). Ao contrário
dos equipamentos tradicionais, que não são confiáveis
com apenas duas cunhas inseridas em uma fenda, os 2cam conseguem
manter estabilidade em fendas rasas e até mesmo em marcas
de pitons. Essa nova tecnologia é produto do projeto de
estudantes da CU-Boulder. Seth Murray, estudante de engenharia
mecânica, teve a idéia do 2cam durante seus anos
de experiência em escalada em rocha.
A ele se juntaram os estudantes Greg Wolos, Tucker Southern e
Shane Stamm, e, sob a supervisão do Professor Larry Carlson,
desenvolveram o primeiro protótipo do 2cam. Baseados nos
resultados da testagem do produto, desenvolveram a seguir mais
três protótipos. A tecnologia 2cam também
está sendo empregada em 4cam, garantindo-lhes grande estabilidade,
maior versatilidade e segurança. Esses SLCDs já
estão sendo comercializados por empresas como a Splitter
Gear.
Frederico
Yasuo Noritomi
Freio Oito
Apesar de eu raramente utilizar freios oito, eles têm seus
fãs e algumas vantagens peculiares. De forma geral, esses
aparelhos proporcionam o rappel mais suave de todas as opções
padrão (sem contar com o magnone, é claro!). Graças
à sua grande massa, os freios oito são menos suscetíveis
ao superaquecimento do que outros aparelhos de rappel.
Muitas pessoas acusam o freio oito de encocar suas cordas durante
o rappel, o que, na verdade, é causado por erro de procedimento.
Se a mão de freio estiver posicionada para o lado, com
a corda correndo por fora das pernas, a corda estará toda
enrolada quando você chegar ao chão. Manter a mão
de freio diretamente abaixo do oito com a corda entre as pernas
reduz consideravelmente o encocamento da corda. Rappel com corda
entre as pernas também é mais seguro porque as duas
mãos podem ser utilizadas para frenagem se necessário
(a fricção diminui à medida em que o fim
do rappel se aproxima) e isso torna mais fácil recuperar
a corda caso você perca o controle do rappel.

Uma boa característica dos freios oito é que você
dicficilmente os deixará cair acidentalmente se seguir
um procedimento muito simples. Quando estiver escalando, mantenha
o anel maior do oito clipado ao mosquetão de rosca que
você utiliza para o prender ao anel de rappel/asseguramento
do baudrier. Para montar o rappel, passe uma alça da corda
dentro do anel maior do oito e por fora do menor. Agora você
pode desclipar o mosquetão e reclipá-lo no anel
menor do oito sem o risco de perder o aparelho. Ao final do rappel,
é só reverter o procedimento.
Tenha muito cuidado para que seu freio oito não saia de
posição no mosquetão. Em certas combinações,
o freio oito pode fazer uma alavanca contra a rosca do mosquetão,
quebrando o gatilho - isso já ocorreu em muitas ocasiões
e pelo menos uma pessoa está morta como conseqüência!
Cuidado com pausas em platôs no meio do rappel, pois, ao
tirar a carga do oito ele pode sair de posição,
criando um perigo potencial quando a descida é reiniciada.
Apesar de ser mais visto como um equipamento de rappel, o oito
também serve como um aparelho de asseguramento para cordas
em única. Utilizar o anel menor no modo plaqueta gera em
torno de 2,0 kN de força de frenagem (essa força
varia em função da pegada do assegurador, do tamanho
do anel, da corda, do mosquetão utilizado). Montado no
modo rappel, o freio oito tem um travamento menor do que outros
aparelhos, em torno de 1,2 kN. O chamado “modo esportivo”, no
qual a alça da corda é clipada no mosquetão
ao invés de correr ao redor do pescoço do oito,
tem apenas em torno de 0,8 kN de força de frenagem e já
foi a causa de muitos acidentes.
A utilização de freio oito no modo rappel e no
modo esportivo para segurança de guia faz mais sentido
para escaladas alpinas, em que uma força de impacto suave
é essencial para manter as ancoragens de neve no lugar,
diminuindo a severidade de uma queda longa.
O Trango Belay 8 é um aparelho peculiar que funciona bem
para escaladas esportivas porque libera corda com incrível
rapidez. O buraco em forma de “v” aumenta a força do travamento
de forma que um escalador pequeno pode segurar uma pessoa grande
com facilidade.
Clyde Soles
Rock
& Ice - Gear Equipment for the Vertical World
The Mountaineers
Books, Seattle, 2000.
Tradução
livre de Frederico Noritomi
Nó UIAA
O UIAA é um método de segurança
muito eficiente que se utiliza apenas da corda e um mosquetão
para criar a fricção necessária para frear
uma queda. O mosquetão deve ser de base larga com rosca
para permitir que o nó passe facilmente por seu interior.
O UIAA amplifica a força da mão com o atrito da
corda com a corda e da corda com o mosquetão. Ele é
provavelmente um dos métodos mais fortes, perdendo apenas
para o Grigri, SRC e Trango 8. Pode ser usado tanto no baudrier,
como um freio comum para segurança do guia, quanto preso
à ancoragem, para segurança do participante.

O UIAA é o único método de
segurança tradicional que proporciona atrito suficiente
qualquer que seja o ângulo entre a corda que entra e a que
sai. Daí advém sua maior vantagem: não requer
nenhuma posição especial de travamento. Basta que
o assegurador segure a corda para travá-a, não sendo
necessário puxá-la para trás, como nos outros
métodos.
O atrito do UIAA tem a peculiaridade de ser menor
quando as cordas formam um ângulo de 180º do que quando
estão lado a lado, a 0º. Isso significa que sua força
máxima é relativamente menor para queda de guia
do que para queda de participantes. Mas em termos absolutos o
UIAA proporciona mais atrito do que o oito, a plaqueta e a cestinha.
Esse atrito maior significa uma frenagem mais rápida em
uma queda extrema.
O UIAA tem alguns defeitos. Ele torce a corda mais
do que qualquer outro método, deixando-a bem encocada após
alguns esticões, principalmente se a mesma pessoa guiar
o tempo todo. Para desenrolar a corda, pendure-a esticada e sacuda-a
bastante. Outro problema é que o calor gerado pelo atrito
dinâmico de uma queda longa pode queimar a capa, deixando-a
com aspecto vitrificado, conseqüência que tem repercussões
apenas cosméticas.
O UIAA também pode ser utilizado para rappel,
mas tem a enorme desvantagem de torcer demasiadamente a corda
(uma volta a cada 1,5m).
Frederico Yasuo Noritomi
Diretor Técnico do CEG
Distúrbios
causados pelo calor
A prática de algumas atividades físicas
(montanhismo, por exemplo) exige de seus participantes grande
esforço físico, algumas vezes em condições
climáticas bastante desfavoráveis.
Quando esses eventos ocorrem durante o verão,
que em nosso país é marcado pela ocorrência
de altas temperaturas, é grande o risco de distúrbios
térmicos, nesse caso, hipertermia. Contudo, a hipertermia
induzida pelo exercício, a desidratação e
outros eventos relacionados com o calor podem ser evitados através
de medidas adotadas antes e durante o exercício.
Algumas condições que podem predispor
a distúrbios relacionados com calor são: obesidade,
baixo grau de aptidão física, desidratação,
má aclimatação ao calor, história
prévia de colapso induzido pelo calor, privação
de sono, uso de medicamentos como diuréticos e antidepressivos,
disfunção das glândulas sudorípadas,
estar queimado pelo sol e consumo de álcool. As crianças
pré-púberes merecem especial atenção
pois suam menos e possuem menor tolerância ao calor.
De uma forma geral, treinamento, aptidão
física adequada e consumo de líquidos são
a forma correta de evitarmos a ocorrência desses eventos.
Os sintomas precoces são descoordenação,
cefaléia, náuseas, tonteiras, apatia, confusão
e outros distúrbios de consciência. Na presença
desses sintomas, deve-se imediatamente proceder ao resfriamento
do corpo, seja por imersão em água fria, compressas
molhadas, abanamento ou compressas geladas no pescoço,
axilas e região inguinal.
Convém ressaltar que a hipertermia não
ocorre apenas em função da temperatura atmosférica,
pois enquanto praticamos alguma atividade física mais intensa,
a temperatura corporar aumenta e o organismo se defende transpirando.
É através do suor que eliminamos parte desse calor.
Só que junto ao suor, o corpo perde água e outras
substâncias essenciais para o seu metabolismo.
Por aí, vemos com é importante manter
a hidratação do corpo ingerindo líquidos
antes, durante e depois do exercício.
Fonte de consulta: Revista
Brasileira de Medicina do Esporte. Luiz José F. Leal
Relatório
conclui: Rapel é o grande vilão das montanhas
O rapel é responsável por 70% dos
acidentes ocorridos entre os praticantes de esportes nas montanhas
brasileiras, a grande maioria devido às falhas nos equipamentos
utilizados pelos rapeleiros. Esta pelo menos foi a conclusão
a que chegou o Relatório de Acidentes em Esportes de Montanha,
com os dados pesquisados por um grupo de guias do Rio de Janeiro.
Um dos aspectos curiosos nesta conclusão
é o fato de que a maioria dos montanhistas não considera
o rapel um esporte em si, mas apenas uma técnica de descida
para viabilizar a prática de outros esportes, como escalada
e travessia de cânions. Outra constatação
do Relatório, segundo o guia Pedro Lacaz Amaral, da Parede
Esportes de Montanha, coordenador do levantamento, foi que a grande
maioria dos acidentes se deve ao despreparo dos praticantes, na
maioria jovens que após um pequeno período de treinamento
saem praticando sozinho esportes de risco.
Mesmo sem quantificar nenhum caso de morte, a pesquisa
descobriu que 90% dos acidentes provocaram fraturas. Um dos objetivos
do Relatório é contribuir para a diminuição
do número dos acidentes nas montanhas do país.
(texto tirado do site 360º
Esportes & Aventuras)
Os
melhores escaladores do século XX
A revista americana Climbing publicou em sua edição
de março uma seleção do que ela considera
as melhores escaladas e os melhores escaladores do século
XX. A escolha foi dividida em oito categorias: alpinismo, bouldering,
big wall, escalada esportiva, escalada clássica, himalaismo,
escalada em rocha e escalada em gelo.
Alpinismo
Para Climbing, a maior façanha do alpinismo
em todos os tempos foi a conquista da face norte do Eiger, uma
parede vertical com 2.000 metros de calcário quebradiço
e gelo negro, nos Alpes, realizada pelos austríacos Heinrich
Harrier e Fritz Kasparek e os alemães Anderl Heckmair e
Ludwig Vorg.
A princípio escalando separados, para ver
quem chegava primeiro ao cume, as duas duplas resolveram juntar-se
quando já estavam na metade da parede. A decisão
mostrou-se correta, pois, apesar das avalanches, tempestades,
caídas perigosas e um grampom ter cravada na mão
de Vorg, eles chegaram ao cume.
Até hoje, 44 pessoas já morreram
tentando repetir o feito. Uns conseguiram, outros não.
O cadáver de um montanhista italiano ficou 3 anos pendurado
em sua corda, inalcançável mais visível para
os que o olhavam de baixo, balançando ao vento.
Bouldering
O americano John Gill, considerado o criador d |